PSDB pode decidir futuro de Lerner
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domingo, 11 de maio de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
O destino partidário do governador Jaime Lerner (PDT) tem grandes chances de ser definido hoje, durante uma reunião do diretório regional do PSDB, às 17 horas, no Abtur Hotel, em Curitiba. Nos últimos quatro dias, impera a lei do silêncio entre os tucanos lerneristas e contras. Apesar de ambos garantirem a maioria dos votos entre os 61 delegados do partido, o clima é de suspense e indefinição.
A pauta da convocação vai tratar oficialmente do processo de expulsão instaurado ainda nas eleições do ano passado contra o vice-presidente Teobaldo Machado, e os delegados Omar Akel, Ubirajara Schreiber e Carlos Xavier Sanches. Esses tucanos, que hoje avalizam a entrada do governador, são acusados de infidelidade partidária pelo apoio dado ao atual prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), contra a escolha do partido, Carlos Simões, em 96.
Os lerneristas apostam nas brechas do edital - baixado pelo presidente estadual Hélio Duque no último dia 22 de abril - para discutir a filiação do governador com os delegados, e pôr um ponto final na briga interna. O risco de enfrentar a resistência dos contras é grande. O maior inimigo dos pró-Lerner é o discurso inflamado, que é concentrado no outro lado. Os lerneristas não dispõem de quadros que consegam levar os convencionais no bico - em se tratando de discurso.
Duque e o secretário-geral do PSDB, Antenor Bonfim, já declararam que o diretório só vai discutir o caso Lerner se o próprio governador manifestar a vontade de integrar o ninho tucano. E isso não vai acontecer, pelo menos por enquanto. Os contras prometem ainda denunciar casos de cooptação de votos dos delegados do PSDB pelo governo do Estado.
O Palácio Iguaçu não trabalha com a possibilidade do veto. E o governador está disposto a levar os seus planos políticos até as últimas consequências, jogando as fichas numa garantia de vitória. O secretário-chefe de Gabinete do governador, Gerson Guelman, promoveu inúmeras reuniões com os tucanos lerneristas, nas últimas semanas, para acertar os apoios.
Se a novela da filiação não acabar hoje, o caso vai bater na cúpula nacional do PDT. A executiva pedetista aguarda para hoje o retorno do presidente de honra do partido, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, que está no Chile, para definir uma data para ouvir as explicações do governador do Paraná, e, dependo do caso, iniciar um processo de expulsão de Lerner do partido. Até agora, Brizola silenciou sobre a indefinição de Lerner, mas não mediu consequências quando avisou ao governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, que este seria o desfecho de sua lealdade ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Dante de Oliveira se antecipou, desligou-se do PDT e já assinou a ficha do PSDB.


