Rose Ane Silveira
Folhapress
  Brasília - O PSDB já estuda a possibilidade de antecipar a convenção do partido, prevista para junho, para definir o nome do candidato tucano à Presidência da República. A pré-convenção do PSDB, que pode ser realizada ainda neste mês, seria uma solução para o impasse que envolve esse processo.
  O governador Geraldo Alckmin (SP) já oficializou a intenção de sair do cargo até o dia 31 para disputar a Presidência pelo PSDB. Já o prefeito José Serra admitiu ontem pela primeira vez que está disposto a ser candidato do PSDB à Presidência da República. No entanto, Serra condicionou sua candidatura à unidade do partidária. ‘‘Decidi, baseado nas pesquisas e no apelo de integrantes do partido, ficar à disposição do PSDB’’, disse Serra para o jornal ‘‘SBT Brasil’’ na porta da sua casa.
  Segundo o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a situação interna do partido é complicada e acha que dificilmente a definição saia hoje. Na semana passada, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que a decisão sairia até esta terça-feira. Tasso e o governador de Minas, Aécio Neves, já confirmaram que estarão hoje em São Paulo para tratar desse assunto. Os dois formam o triunvirato tucano, composto também pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
  ‘‘A gente espera que se [esse processo] se resolva amanhã (hoje). Se não tiver decisão temos três caminhos: a direção nacional ou a Executiva decidem a questão ou chamamos uma pré-convenção para o final deste mês com uma decisão mais ampla’’, afirmou Alvaro Dias.
  O senador paranaense disse que não é bom para a candidatura tucana a demora na escolha de um nome para disputar as eleições com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A demora na escolha já tem irritado a cúpula tucana há quase um mês. O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, tem repetido que a disputa interna em seu partido favoreceu a alta de Lula nas pesquisas de intenção de voto.
  Alckmin admitiu ontem a possibilidade da definição do candidato do PSDB à Presidência da República não sair hoje e precisar passar por uma consulta ao diretório nacional do partido. Serra, por sua vez, rejeitou a realização de prévias ou qualquer outra consulta para definição do candidato do PSDB à Presidência. Ontem, por exemplo, se cogitou realizar uma consulta à direção nacional para definir o assunto. ‘‘A questão das prévias, a meu ver, traria um problema de divisão para o partido.’’ Ele disse que a reivindicação de realização das prévias é ‘‘legítima’’. Serra, entretanto, condiciona sua candidatura à unidade do PSDB em torno de seu nome.
  A pré-candidatura de Alckmin ganhou força nos últimos dias diante da insistência do governador de sair candidato a presidente pelo PSDB. A demora e hesitação de seu principal adversário, o prefeito José Serra, de declarar de público a disposição de sair candidato à Presidência pelo PSDB também ajudaram a melhorar a cotação de Alckmin dentro da bolsa tucana de apostas.
  Sentindo-se fortalecido, Alckmin admitiu a possibilidade da decisão sobre o nome do candidato tucano à Presidência não ser anunciada hoje, como prometeu o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), na semana passada. ‘‘O presidente do partido estabeleceu a data de amanhã (hoje) para que se equacionasse a questão partidária. Se tiver alteração não tem nenhum problema. A data final é 31 de março por conta do prazo de desincompatibilização. É um prazo legal que não pode ser ultrapassado’’, disse.

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