Brasília - A liderança do PSDB na Câmara apresentou, na tarde de ontem, uma representação ao presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), em que pede abertura de sindicância por quebra de decoro parlamentar dos deputados José Mentor (PT-SP) e Eduardo Valverde (PT-RO). O vice-líder Alberto Goldman (PDSB-SP) encabeça as assinaturas na representação.
De acordo com Goldman, é preciso que os congressistas expliquem o teor do diálogo gravado pela TV Senado, após o encerramento de uma sessão pública da CPI do Banestado, quando os deputados petistas ficaram conversando na sala de reuniões sobre uma forma de evitar que o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse convocado a depor perante a CPI.
A transcrição da conversa foi publicada nesta semana pela Folha de S.Paulo. Segundo Goldman, ''há indícios veementes da prática de ilegalidades e quebra de decoro, envolvendo os deputados participantes desses diálogos, em especial o abuso de suas prerrogativas parlamentares em benefício de outrem, e deixar de revelar fatos graves de seu conhecimento envolvendo partidos políticos''.
A representação é considerada uma retaliação contra Valverde, que nesta semana apresentou um requerimento à CPI do Banestado em que solicitava a convocação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e do ex-ministro do Planejamento José Serra. O requerimento foi retirado a pedido dos líderes da base aliada.
Procurado pela reportagem, Mentor afirmou não saber da representação e disse acreditar que ''está cada dia mais difícil se trabalhar com seriedade''. ''A representação deveria ser contra quem vaza as informações para a imprensa, e não contra quem faz comentário com outros parlamentares. O PSDB deveria ser mais ágil no Senado e verificar porque tem tanto vazamento de informações naquela Casa.''
O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), avaliou ontem que PFL e PSDB cometeram um erro tático grave de estimular o debate em torno da CPI do Banestado. O pefelista está convencido de que foi a oposição, e não o PT e o governo, a maior prejudicada com o debate nacional em torno da comissão e a briga do presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), com o relator, deputado José Mentor (PT-SP). ''Nós estávamos discutindo o padrão ético do governo e desviamos o foco do debate para o padrão ético da CPI'', resume o líder.
O que o PFL mais lamenta é o fato de a CPI ter praticamente tirado da pauta nacional a série de denúncias de sonegação fiscal contra os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb. ''Desviamos a atenção da opinião pública das denúncias envolvendo o Meirelles, o Casseb e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, justamente quando estava para ocorrer um desgaste de imagem monumental do governo e do PT'', explica o líder Agripino Maia.

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