Brasília - Diante do esvaziamento do Congresso em função das eleições municipais e por causa da provas, a Direção Nacional do PSDB mudou de estratégia no caso do suposto ''acordo financeiro'' entre o PT e o PTB, pelo qual petebistas deveriam receber dinheiro em troca do apoio a candidatos petistas a prefeito. Em vez de articular a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a denúncia publicada pela revista ''Veja'', os tucanos decidiram ontem que encaminharão um pedido de apuração do caso à Procuradoria-Geral da República. Segundo a revista, o PT teria pago ao PTB R$ 10 milhões, supostamente em troca de apoio nas eleições deste ano.
''Com a Casa vazia e como não temos provas na mão, não tem sentido falar em CPI, que depende de articulação partidária e de bancadas para se obter o apoio mínimo de um terço dos parlamentares, exigido para se abrir um inquérito no Congresso'', afirmou ontem o líder em exercício do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), para concluir que o caminho é pedir investigação ao Ministério Público (MP). Goldman e o primeiro vice-presidente nacional do partido, senador Eduardo Azeredo (MG), assinaram uma nota oficial pedindo que todos os envolvidos no caso PT-PTB sejam ''intimados'' pela Procuradoria a prestar esclarecimentos e que todas as diligências judiciais requeridas sejam implementadas.
''O povo brasileiro não compactuará com qualquer projeto de poder que não respeite a ética, a moralidade e a democracia'', diz a nota, assinada por Azeredo. Segundo ele, a cúpula tucana espera um esclarecimento, tendo em vista que a atuação do PT tem sido caracterizada pela ''ânsia violenta pelo poder e pelo esbanjamento de recursos nas campanhas municipais, com as propagandas mais caras em várias cidades''. Azeredo está à frente do comando partidário neste período em que o presidente nacional da legenda, José Serra, está concentrado na reta final da campanha pela Prefeitura de São Paulo.
Mesmo reconhecendo que, apesar da credibilidade da revista, estão apenas diante de acusações sem provas, os dirigentes tucanos afirmam no comunicado que os brasileiros estão estarrecidos com a ''negociata'' relatada por ''Veja''. Também chamam atenção para o fato de que os acusados pela reportagem - em que se inclui o chefe da Casa Civil, José Dirceu - não se manifestaram no sentido de processar os autores da denúncia.
''O PT parece ter esquecido que dizia que era o único partido ético no Brasil e hoje está praticando o clientelismo e o assistencialismo, transformando o programa Bolsa-Escola em bolsa-esmola'', disse Azeredo.
Para Goldman, a ala ''pragmática assistencialista do PT está usando o Bolsa-Escola como moeda eleitoral pura e simples, em troca do voto.''

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