Brasília - O PSDB entrou ontem com uma representação na Procuradoria-Geral da República para pedir a instauração de inquérito com o objetivo de apurar os supostos atos de improbidade do presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, na compra de R$ 70 mil em ingressos (70 mesas, distribuídas a funcionários e clientes especiais do banco) do show da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, na Churrascaria Porcão, em Brasília. O espetáculo, realizado na semana passada, teve parte da renda revertida para a compra da nova sede do PT, em São Paulo. Para o primeiro vice-presidente do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP), o presidente do BB, Cássio Casseb, cometeu ato de improbidade administrativa, ''tendo utilizado o exercício do cargo de presidente do BB para auferir vantagem patrimonial ao PT''.
Irritado com as especulações de que Zezé Di Camargo e Luciano estariam se beneficiando de sua proximidade com o PT, o empresário da dupla sertaneja, Rommel Marques, argumentou ontem que o contrato para o show da dupla foi feito ''nas bases normais de mercado''. Rommel fez questão ainda de deixar claro que o patrocínio pleiteado pelos cantores junto ao Banco do Brasil teria como contrapartida o uso da imagem da dupla para promover o Banco Popular do Brasil, criado para dar pequenos empréstimos. Na semana passada, o BB indeferiu o pedido de patrocínio, que seria de R$ 5 milhões. ''Da maneira como está saindo na imprensa está dando a entender que estávamos solicitando o dinheiro para bancar os shows da dupla. E não é nada disso'', desabafou Rommel. ''Isso é um absurdo'', disse.
Segundo ele, a dupla sertaneja cobrou cachê pelo show realizado, em Brasília, na semana passada. O empresário disse ainda que as despesas da dupla foram pagas pelo contratante, a Churrascaria Porcão. O show da dupla na churrascaria arrecadou R$ 500 mil, dos quais R$ 250 mil foram doados para o PT comprar a sede. Mas o Banco do Brasil gastou R$ 70 mil para comprar 70 mesas para funcionários e clientes especiais do Banco assistirem o espetáculo.
Ontem, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), voltou a criticar o comportamento dos dirigentes do PT que, em sua opinião, estão defendendo um ''crime de improbidade administrativa''. ''O Banco do Brasil ... não é propriedade particular do PT'', argumentou Bornhausen, ao defender a demissão de toda a diretoria do BB.
''Isso é uma mistura de falta de assunto com ciumeira porque a dupla tem boa relação com o PT'', rebateu o presidente nacional do PT, José Genoino. Ele observou que o show da dupla sertaneja, em Brasília, foi patrocinado e organizado por uma empresa privada, que ficou encarregada de vender os ingressos. Genoino lembrou ainda que o espetáculo em Brasília foi totalmente diferente do show realizado no início do mês em São Paulo, no Olímpia. ''Em São Paulo foi o PT que promoveu o show'', disse.

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