PSDB pede a FHC que assuma campanha
Líderes tucanos pressionam o presidente para que se imponha e impeça maior queda nas pesquisas de intenção de voto
Agência Estado
Pressionados pela queda de popularidade nas pesquisas eleitorais, o presidente Fernando Henrique Cardoso e os dirigentes do PSDB começaram a acertar ontem o discurso dos tucanos na campanha presidencial . ‘‘Vamos projetar o cenário positivo do Brasil com Fernando Henrique no segundo mandato, e o que teremos com os demais candidatos a presidente’’, contou o líder do partido na Câmara, Aécio Neves (MG).
Depois de um almoço no Palácio do Planalto, o deputado saiu convencido de que, de agora em diante, o chefe vai ‘‘se dividir um pouco e tentar ser mais candidato’’. O líder Aécio já deixou o Planalto em campanha, criticando o candidato do PT a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que ameaça paralisar o processo de privatizações se eleito presidente. ‘‘O Lula só não foi mais irresponsável, ameaçando o ingresso do capital estrangeiro no País, porque ninguém acredita que ele ganhe a eleição presidencial’’, alfinetou o tucano.
A conversa no gabinete presidencial, da qual também participou o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL), serviu para aplacar a preocupação dos tucanos com a queda do desempenho de Fernando Henrique nas pesquisas eleitorais. ‘‘Temos de acenar com um horizonte para que o eleitor embarque nesta candidatura’’, ponderou o deputado Roberto Brant (MG), ao salientar que o presidente hoje é ‘‘um produto crítico’’, porque o povo já se acostumou com a estabilidade e quer saber o que virá depois do Plano Real.
Apesar do nervosismo por conta das pesquisas, os interlocutores do presidente insistiram que o candidato está sereno. ‘‘Pesquisa não é fato político grave nem aponta a derrocada da candidatura’’, frisou Aécio. Os dirigentes nacionais do partido sabem que a queda de popularidade de seu candidato decorre muito mais da estagnação do crescimento da economia do que de impropérios verbais, como o emprego do adjetivo ‘‘vagabundo’’ na referência aos que se aposentaram antes dos 50 anos de idade. ‘‘O que pesa mesmo é que o Brasil é uma das três economias que menos cresce no mundo’’, avalia o deputado Roberto Brant.
O presidente e seus aliados tucanos estão dispostos a enfrentar as dificuldades por que passa o País na campanha e alertar o eleitor de que o momento é grave. A idéia é assumir a necessidade de medidas impopulares, como o aumento de impostos e da taxa de juros, para demonstrar ao eleitor que o governo fez o que era preciso e não o que rende votos.
Segundo o líder Aécio, Fernando Henrique tem estado atento às pesquisas e tem conversado com os marketeiros de campanha, mas não mudará seu estilo. ‘‘Prefiro o presidente errando com sinceridade, do que acertando artificialmente’’, disse Aécio.
Os tucanos indicaram o governador do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar, para coordenar o comitê central da campanha da reeleição. ‘‘A decisão é do partido, mas o presidente achou ótima nossa indicação’’, garantiu Aécio. O comitê terá representantes de todos os partidos aliados.
O homem do PMDB na campanha será mesmo o líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA). O PTB acertou a indicação do secretário-geral, deputado Rodrigues Palma (MT). É que o PTB mato-grossense fechou uma aliança com o PMDB e o PFL do senador Júlio Campos (MT), que disputará o governo. O senador Carlos Bezerra (PMDB-MT) tem 20% das intenções de voto e sairá para o Senado, com Rodrigues Palma na vice. Como Campos, sozinho, já contava com a simpatia de 42% do eleitorado, Palma foi escalado para cuidar da campanha presidencial.

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