O comando do PSDB negocia o retorno ao partido de Euclides Scalco, ex-coordenador da campanha pela reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, e do ex-presidente da legenda, ex-governador do Paraná José Richa. ‘‘Scalco e Richa são fundadores do PSDB e a volta deles à legenda é algo que muitos tucanos desejam’’, admitiu o presidente nacional do partido, deputado José Anibal (SP). Na tentativa de atraí-los para a sigla, o PSDB os incluiu na composição do diretório nacional, embora eles não estejam filiados.
A estratégia de seduzir os dois ex-tucanos paranaenses para as fileiras do PSDB faz parte do movimento de resgate do ‘‘velho PSDB’’ e de reafirmação dos compromissos de fidelidade ao governo. Entre os planos do PSDB, está o lançamento de Scalco como candidato ao governo do Paraná na eleição de 2002 para suceder Jaime Lerner (PFL).
Integrante do núcleo executivo da Câmara de Gestão da Crise Energética (GCE) ao lado do ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, Scalco está fora do PSDB há pelo menos cinco anos. O atual presidente da Itaipu Binacional deixou o partido depois de romper com o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, em razão de suas discordâncias com a condução de um processo de crescimento do PSDB.
A articulação para filiar Scalco e Richa ao PSDB coincide com o processo de ‘‘limpeza interna’’ da sigla, segundo a sua cúpula, que começou com a saída do ex-senador José Roberto Arruda (DF) e poderá culminar na expulsão do PSDB dos senadores Alvaro e Osmar Dias (PR).
Adversários políticos de Scalco e Richa no Paraná, os dois senadores irmãos terão seu destino decidido na terça-feira, na reunião da executiva nacional do PSDB, que vai votar o pedido de afastamento dos parlamentares, caso não recuem da posição de apoio à CPI da Corrupção do Senado. Se os Dias mantiverem as assinaturas, Anibal vai encaminhar um pedido de afastamento deles com base em decisão da executiva que vetou adesão à CPI.
‘‘Eles querem afastar os irmãos Dias do PSDB para dar espaço aos dois’’, disse o secretário-geral do PSDB paranaense, Haroldo Ferreira. Ele deve ingressar com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a anulação da convenção do PSDB e destituição de Aníbal do cargo de presidente da sigla.
O argumento é de que a inclusão dos dois ex-tucanos na lista oficial de dirigentes do partido é irregular, já que só podem fazer parte do diretório nacional pessoas filiadas ao PSDB. ‘‘Estou surpreso’’, assustou-se Scalco, dizendo não ter sido avisado de sua inclusão no diretório tucano. ‘‘Isso é apenas uma formalidade e será resolvido facilmente’’, disse Anibal, que prometeu encaminhar pedido de ‘‘correção’’ ao TSE para exclusão dos ex-tucanos da relação de dirigentes.

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