São Paulo – Os governadores do PSDB não devem contar com o apoio automático das bancadas petistas nos Estados. A cúpula do PT entende que o apoio dos governadores tucanos às reformas da Previdência e tributária é ‘‘institucional’’ e não significa que as propostas enviadas pelos governadores às Assembléias Legislativas possam contar com apoio automático dos deputados petistas.
  A avaliação é do presidente do PT, José Genoino. ‘‘As bancadas estaduais do PT estão abertas a negociações, porque, embora eu esteja trabalhando para que as oposições sejam qualificadas e propositivas em todos os Estados onde o partido não é governo, nada é automático.’’
  Para assegurar o apoio dos governadores às reformas enviadas ao Congresso - lembra Genoino - o governo se dispôs a reduzir o teto inicial para a taxação dos inativos de R$ 2,4 mil para R$ 1,058 mil. ‘‘Aceitamos a modificação porque eles pediram.’’ Não há nada de errado, portanto - prossegue o deputado - no comportamento das bancadas estaduais do PT que não votaram a favor do projeto de reforma previdenciária de São Paulo, em sua primeira votação na Assembléia.
  A bancada petista votou em bloco contra o projeto e provocou críticas não só do governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas da cúpula do PSDB. O presidente nacional do partido, José Aníbal, disse não entender como o PT votou contra uma proposta idêntica à que ele mesmo defende no governo federal.
  Explicação - O argumento dos petistas é que o projeto enviado por Alckmin não é ‘‘uma reforma da Previdência’’, mas uma ‘‘mera elevação de alíquota’’ de contribuição dos servidores estaduais. ‘‘A bancada foi até generosa em São Paulo’’, disse Genoino. ‘‘A bancada votou contra, mas não fez guerra, e tentou negociar.’’
  A negociação à qual se refere o petista foi a tentativa de convencer os tucanos a postergar a votação do projeto para setembro. Esse é o calendário com o qual trabalha o PT nacional para votar a proposta da Previdência no Congresso.
  Os tucanos paulistas tinham pressa pois o Estado tem um déficit previdenciário anual de quase R$ 8 bilhões e qualquer economia é bem-vinda. Também queriam estabelecer uma diferença em relação ao governo federal, demonstrando ‘‘agilidade administrativa e política ao aprovar a primeira fase da reforma’’, como admitiu um deputado estadual tucano. Em Minas, o governador Aécio Neves (PSDB) enfrenta a mesma resistência dos petistas.

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