PSDB não tem apoio automático do PT
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 2003
Flávio Mello<BR>Agência Estado 
São Paulo Os governadores do PSDB não devem contar com o apoio automático das bancadas petistas nos Estados. A cúpula do PT entende que o apoio dos governadores tucanos às reformas da Previdência e tributária é institucional e não significa que as propostas enviadas pelos governadores às Assembléias Legislativas possam contar com apoio automático dos deputados petistas.
A avaliação é do presidente do PT, José Genoino. As bancadas estaduais do PT estão abertas a negociações, porque, embora eu esteja trabalhando para que as oposições sejam qualificadas e propositivas em todos os Estados onde o partido não é governo, nada é automático.
Para assegurar o apoio dos governadores às reformas enviadas ao Congresso - lembra Genoino - o governo se dispôs a reduzir o teto inicial para a taxação dos inativos de R$ 2,4 mil para R$ 1,058 mil. Aceitamos a modificação porque eles pediram. Não há nada de errado, portanto - prossegue o deputado - no comportamento das bancadas estaduais do PT que não votaram a favor do projeto de reforma previdenciária de São Paulo, em sua primeira votação na Assembléia.
A bancada petista votou em bloco contra o projeto e provocou críticas não só do governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas da cúpula do PSDB. O presidente nacional do partido, José Aníbal, disse não entender como o PT votou contra uma proposta idêntica à que ele mesmo defende no governo federal.
Explicação - O argumento dos petistas é que o projeto enviado por Alckmin não é uma reforma da Previdência, mas uma mera elevação de alíquota de contribuição dos servidores estaduais. A bancada foi até generosa em São Paulo, disse Genoino. A bancada votou contra, mas não fez guerra, e tentou negociar.
A negociação à qual se refere o petista foi a tentativa de convencer os tucanos a postergar a votação do projeto para setembro. Esse é o calendário com o qual trabalha o PT nacional para votar a proposta da Previdência no Congresso.
Os tucanos paulistas tinham pressa pois o Estado tem um déficit previdenciário anual de quase R$ 8 bilhões e qualquer economia é bem-vinda. Também queriam estabelecer uma diferença em relação ao governo federal, demonstrando agilidade administrativa e política ao aprovar a primeira fase da reforma, como admitiu um deputado estadual tucano. Em Minas, o governador Aécio Neves (PSDB) enfrenta a mesma resistência dos petistas.


