PSDB não sabe se irá punir vereador Beto Scaff
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Patrícia Zanin 
O presidente do diretório municipal do PSDB, deputado Luiz Carlos Hauly (foto), admitiu ontem que terá dificuldade para avaliar a situação do vereador Beto Scaff (PSDB), único tucano da bancada de quatro a votar pela privatização da Sercomtel S/A Telecomunicações. O líder da bancada, vereador Tercílio Turini, orientou os colegas a votar contra a medida, mas Scaff desrespeitou a decisão e abriu uma crise no partido. O caso seria levado ontem à reunião do PSDB. Os dois têm razão, adiantou Hauly à Folha. Mas vamos conversar melhor sobre a questão, prometeu. O presidente estadual do PSDB, ex-governador Álvaro Dias, esteve ontem em Londrina e participaria da reunião do diretório.
Hauly deixou claro que o foco da discussão do PSDB agora não é aparar arestas internas. A hora é de cautela em relação aos direitos dos donos de linhas telefônicas, defendeu. Ele disse que, aprovada a privatização da Sercomtel, o PSDB pretende defender os proprietários de linhas telefônicas de Londrina - cerca de 100 mil. Todos são acionistas e privatizada a empresa, os donos de telefone precisam receber a parte que cabe a eles, prega.
Parte do discurso coincide com o da Aprottel (Associação dos Proprietários de Terminais Telefônicos de Londrina). O diretor jurídico da entidade, Ronaldo Gomes Neves, diz que o capital da Sercomtel foi constituído, na década de 60, com recursos da população. A Aprottel foi favorável à privatização da Sercomtel, mas questiona a destinação dos recursos.
Não podemos correr contra a tendência mundial de privatizações, defende o secretário de Governo da Prefeitura, Gino Azzolini Neto. Ele negou que a procuradoria jurídica do município tenha pressionado os vereadores a votar a favor da privatização da Sercomtel. O procurador jurídico da Prefeitura, Eduardo Duarte Ferreira, fez plantão na Câmara nas duas votações do projeto. A presença dele motivou reclamações do bloco de oposição. O Eduardo acompanhou a matéria por tratar-se de interesse relevante. Não pressionou nada porque ele nem tem poder de pressão, garantiu Azzolini Neto.
Para o secretário, as divergências são naturais. Eles têm direito de manter suas posições. Todos tiveram e sempre vão ter o nosso respeito.


