O presidente do diretório municipal do PSDB, deputado Luiz Carlos Hauly (foto), admitiu ontem que terá dificuldade para avaliar a situação do vereador Beto Scaff (PSDB), único tucano da bancada de quatro a votar pela privatização da Sercomtel S/A Telecomunicações. O líder da bancada, vereador Tercílio Turini, orientou os colegas a votar contra a medida, mas Scaff desrespeitou a decisão e abriu uma crise no partido. O caso seria levado ontem à reunião do PSDB. ‘‘Os dois têm razão’’, adiantou Hauly à Folha. ‘‘Mas vamos conversar melhor sobre a questão’’, prometeu. O presidente estadual do PSDB, ex-governador Álvaro Dias, esteve ontem em Londrina e participaria da reunião do diretório.
Hauly deixou claro que o foco da discussão do PSDB agora não é aparar arestas internas. ‘‘A hora é de cautela em relação aos direitos dos donos de linhas telefônicas’’, defendeu. Ele disse que, aprovada a privatização da Sercomtel, o PSDB pretende defender os proprietários de linhas telefônicas de Londrina - cerca de 100 mil. ‘‘Todos são acionistas e privatizada a empresa, os donos de telefone precisam receber a parte que cabe a eles’’, prega.
Parte do discurso coincide com o da Aprottel (Associação dos Proprietários de Terminais Telefônicos de Londrina). O diretor jurídico da entidade, Ronaldo Gomes Neves, diz que o capital da Sercomtel foi constituído, na década de 60, com recursos da população. A Aprottel foi favorável à privatização da Sercomtel, mas questiona a destinação dos recursos.
‘‘Não podemos correr contra a tendência mundial de privatizações’’, defende o secretário de Governo da Prefeitura, Gino Azzolini Neto. Ele negou que a procuradoria jurídica do município tenha pressionado os vereadores a votar a favor da privatização da Sercomtel. O procurador jurídico da Prefeitura, Eduardo Duarte Ferreira, fez plantão na Câmara nas duas votações do projeto. A presença dele motivou reclamações do bloco de oposição. ‘‘O Eduardo acompanhou a matéria por tratar-se de interesse relevante. Não pressionou nada porque ele nem tem poder de pressão’’, garantiu Azzolini Neto.
Para o secretário, as divergências são naturais. ‘‘Eles têm direito de manter suas posições. Todos tiveram e sempre vão ter o nosso respeito’’.

mockup