PSDB não admite fim do segundo turno
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Agência Folha Brasília 
Arquivo FolhaTensãoArthur Virgílio: Isso só pode ser TPE. Tensão pré-eleitoral O secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio (AM), disse ontem que o partido vai impedir a aprovação da proposta que extingue o segundo turno nas eleições para prefeitos e governadores e muda as regras da eleição para presidente da República. Isso é um golpe. O PSDB vai votar contra, afirmou o deputado em discurso na sessão da Câmara.
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou, na última quarta-feira, emenda do senador Júlio Campos (PFL-MT) que acaba com o segundo turno nas eleições para prefeito e governador. A emenda reduz de 50% para 45% o total de votos para que o candidato a presidente seja considerado eleito no primeiro turno. Também poderá ser eleito no primeiro turno o candidato que conquistar 40% dos votos com pelo menos dez pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. A proposta ainda precisa ser votada em dois turnos no plenário do Senado e depois ser enviada à Câmara.
Isso é TPE (tensão pré-eleitoral). É jogo de alguns senadores. Espero que não respingue no presidente Fernando Henrique, afirmou Virgílio. Vocês articularam essa história do segundo turno?, perguntou o deputado Paulo Bernardo (PT-PR) a Virgílio, logo depois do discurso. Essa emenda é um casuísmo e nós vamos derrotá-la, respondeu Virgílio.
Segundo Paulo Bernardo, existe uma suspeita de que o presidente Fernando Henrique Cardoso estaria inseguro em relação à vitória na eleição do próximo ano e teria articulado a aprovação de uma emenda em seu benefício. Parece que o Fernando Henrique ganhou no primeiro turno em 94, mas agora não está levando fé, disse o petista. Paulo Bernardo afirmou que o PT deverá se posicionar contra a proposta. Nós vamos estar do lado de vocês, disse Virgílio.
Na Câmara também está tramitando uma emenda que propõe o fim do segundo turno para prefeitos e governadores. A emenda é de autoria do deputado José Janene (PPB-PR) e deverá ser votada na comissão especial na próxima quarta-feira. A proposta do deputado não altera as regras da eleição presidencial. O partido não vota essa proposta, afirmou Paulo Bernardo. Para Virgílio, a eleição em turno único estimula as chamadas candidaturas de aluguel, patrocinadas pelos candidatos com maior poder econômico para tirar votos dos adversários.


