Arquivo FolhaTensãoArthur Virgílio: ‘‘Isso só pode ser TPE. Tensão pré-eleitoral’’ O secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio (AM), disse ontem que o partido vai impedir a aprovação da proposta que extingue o segundo turno nas eleições para prefeitos e governadores e muda as regras da eleição para presidente da República. ‘‘Isso é um golpe. O PSDB vai votar contra’’, afirmou o deputado em discurso na sessão da Câmara.
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou, na última quarta-feira, emenda do senador Júlio Campos (PFL-MT) que acaba com o segundo turno nas eleições para prefeito e governador. A emenda reduz de 50% para 45% o total de votos para que o candidato a presidente seja considerado eleito no primeiro turno. Também poderá ser eleito no primeiro turno o candidato que conquistar 40% dos votos com pelo menos dez pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. A proposta ainda precisa ser votada em dois turnos no plenário do Senado e depois ser enviada à Câmara.
‘‘Isso é TPE (tensão pré-eleitoral). É jogo de alguns senadores. Espero que não respingue no presidente Fernando Henrique’’, afirmou Virgílio. ‘‘Vocês articularam essa história do segundo turno?’, perguntou o deputado Paulo Bernardo (PT-PR) a Virgílio, logo depois do discurso. ‘‘Essa emenda é um casuísmo e nós vamos derrotá-la’’, respondeu Virgílio.
Segundo Paulo Bernardo, existe uma suspeita de que o presidente Fernando Henrique Cardoso estaria inseguro em relação à vitória na eleição do próximo ano e teria articulado a aprovação de uma emenda em seu benefício. ‘‘Parece que o Fernando Henrique ganhou no primeiro turno em 94, mas agora não está levando f钒, disse o petista. Paulo Bernardo afirmou que o PT deverá se posicionar contra a proposta. ‘‘Nós vamos estar do lado de vocês’’, disse Virgílio.
Na Câmara também está tramitando uma emenda que propõe o fim do segundo turno para prefeitos e governadores. A emenda é de autoria do deputado José Janene (PPB-PR) e deverá ser votada na comissão especial na próxima quarta-feira. A proposta do deputado não altera as regras da eleição presidencial. ‘‘O partido não vota essa proposta’’, afirmou Paulo Bernardo. Para Virgílio, a eleição em turno único estimula as chamadas ‘‘candidaturas de aluguel’’, patrocinadas pelos candidatos com maior poder econômico para tirar votos dos adversários.

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