PSDB nacional descarta intervenção no Paraná
Curitiba - O senador Sérgio Guerra (PSDB/PE), presidente do PSDB Nacional, disse ontem que ''continuará conversando em busca da unidade'' entre os tucanos do Paraná. Ele descartou a possibilidade do partido intervir no diretório paranaense ''nem em qualquer outro diretório estadual''. A escolha do prefeito Beto Richa ontem como pré-candidato ao governo do Estado marcou uma cisão entre a base de apoio dele e o grupo que está com o senador Alvaro Dias, que também disputava a indicação do partido.
Guerra informou, através de sua assessoria, que não ficou surpreso com a decisão dos tucanos paranaenses uma vez que Beto Richa contava com grande apoio dos membros do diretório. Ele, porém, evitou comentar se a opção do PSDB-PR foi acertada ou não.
Alvaro disse ontem que a votação do diretório tucano ''não tem valor legal nenhum''. Ele criticou o que chamou de ''total desprezo pelo projeto nacional de eleger o governador paulista José Serra presidente'' e afirmou que a escolha ''não reflete o partido no Paraná como um todo''. O senador, que havia anunciado no domingo que não iria comparecer ao evento do PSDB em Curitiba, não participou do encontro.
O senador defende que o candidato do partido seja escolhido só na convenção, em junho, com a participação de todos os cerca de 800 convencionais tucanos. Ontem participaram da votação 43 dos 45 membros do diretório. Desses, 41 votaram pela candidatura de Beto, um votou a favor do deputado federal Gustavo Fruet e um votou em branco. Outros dois membros do partido não participaram da reunião.
Após a confirmação do resultado, Beto afirmou que o processo de indicação ''foi transparente'' e que quer trazer Alvaro para a campanha. ''Ele tem que acatar a decisão da maioria'', disse.
''O nome do prefeito Beto Richa está consagrado. Contra a maioria não há quem possa'', declarou o presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni. E completou: ''Nada vai fazer o PSDB mudar de rumo''.
Alvaro reclamou que, apesar de não julgar a reunião de ontem válida, o resultado dela deverá prejudicar ''a concorrência''. ''Essa decisão passa a ser vista como oficial. Isso acaba excluindo outros nomes do partido das futuras pesquisas de intenção de voto, das listas de prováveis candidatos'', apontou. ''Vamos ver no plano nacional o que se pode fazer. Mas por enquanto esse prejuízo é muito grande'', disse.
Para Alvaro, a escolha de Beto ''está montando palanque para o adversário'' uma vez que estaria beneficiando uma aproximação entre o PDT do senador Osmar Dias e o PT de Dilma Rousseff. ''O projeto do partido era de viabilizar uma coalizão que favoreça a eleição do Serra'', afirmou.
Apesar da decisão do PSDB-PR ser ''uma afronta ao projeto nacional tucano'', o senador disse que ''nunca se cogitou uma intervenção do diretório nacional no Paraná''. ''Seria uma atitude muito forte'', disse. Mas afirmou que a opinião de José Serra e do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra ''coincidem com a minha (dele)''. (R.C.F.)





