Os tucanos de São Paulo e o governador Mário Covas continuam irritados com o governo federal, mas decidiram evitar uma guerra aberta na qual o único vencedor pode ser o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), em campanha ao governo do Estado. Mesmo sem esconder sua insatisfação, Covas quer manter a discussão dentro dos termos técnicos. O PSDB paulista, depois de anunciar a intenção de bater forte e publicamente no governo federal, resolveu afastar-se da pendenga, pelo menos até meados de janeiro. Desde a quinta-feira (18), o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, está articulando a reaproximação dos tucanos.
No Palácio dos Bandeirantes, Covas e sua equipe têm frisado que não estão ‘‘distantes’’ do presidente Fernando Henrique Cardoso e apenas vêm cobrando a contrapartida de um ‘‘esforço administrativo’’ feito ao longo de três anos para eliminar a dívida herdada dos governos anteriores, de cerca de R$ 50 bilhões. ‘‘Trata-se de uma somatória de fatos que incomodam’’, disse ontem o secretário-chefe da Casa Civil, Walter Feldman.
Segundo ele, o governador está ‘‘questionando’’ as dificuldades enfrentadas na tramitação de pedidos do Estado ao governo federal, como a autorização de importação dos trens doados pela Espanha. ‘‘Nossas queixas são específicas’’, disse Feldman, citando também as perdas com a Lei Kandir.

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