PSDB monta estratégica para campanha de Alckmin
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sábado, 22 de abril de 2006
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - Sob pressão da bancada federal do PSDB, a campanha do pré-candidato Geraldo Alckmin começa a mudar. Esta semana o pré-candidato tem uma reunião de trabalho com a bancada federal do PSDB, que deverá resultar em uma nova estratégia. Além da reunião, está marcado também um jantar de Alckmin com os parlamentares tucanos.
O PSDB contratou, para o pré-candidato, uma equipe de comunicação experiente, que já começou a funcionar na viagem ao Rio Grande do Norte. O homem de comunicação do PSDB, Luiz Gonzalez, volta neste domingo ao Brasil e deverá assumir já a estratégia geral da campanha.
Estas providências, adotadas pelo senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, deram resposta a um levante que estava em formação na bancada tucana contra o frio início da campanha de Alckmin, que estava sendo rotulada pelos deputados como ''provinciana'' e ''improvisada''. Os parlamentares dizem que Alckmin começou sem estratégia, sem discurso, sem dinheiro, sem equipe, sem marca, sem um programa para vender e com pouco trânsito no Congresso - e cobraram mudanças urgentes na campanha.
A insatisfação começou com cochichos, que cresceram até virarem, na palavra de um deputado, ''um silêncio ensurdecedor''. Os deputados esperavam que Alckmin, ao deixar o governo de São Paulo, teria um início de campanha impactante, mas se assustaram quando o pré-candidato chegou a Brasília de mãos abanando, sinalizando que só então começaria a organizar a campanha. Para piorar, na largada Alckmin foi alvejado por uma série de denúncias que os parlamentares reputam como frágeis, mas que prosperaram duas semanas nas manchetes dos jornais por falta de respostas adequadas.
Preocupado com eventuais críticas dos adversários, Alckmin, afeito a campanhas modestas e frias, optou por começar com uma estrutura pequena, mas a falta de uma equipe logo lhe causou problemas. Sem um estrategista, saiu batendo no presidente Lula, em vez de produzir falas propositivas, ao que um deputado tucano ironiza: se Lula perdesse pontos por apanhar da oposição já estaria abaixo de zero. A irritação subiu dois tons quando Alckmin usou uma expressão futebolística uma marca de Lula ao responder a uma questão; para os deputados, a tirada não soou espontânea, chancelou o estilo populista de Lula e ainda pareceu imitação barata.
No dia em que as denúncias do PT contra a Nossa Caixa chegaram ao auge, ele viajou para Brasília num vôo comercial, acompanhado apenas do ajudante-de-ordens; ao desembarcar, enfrentou a fuzilaria de um pelotão de jornalistas no aeroporto. Sem nenhum anteparo, o pré-candidato teve de dar as primeiras explicações sobre a denúncia, contrariando a prática usual, que recomendaria uma resposta através da direção do partido, que serviria de pára-choque do candidato, protegendo-o do desgaste.
Sem planejamento, as viagens iniciais de Alckmin seguiram uma trilha errática, segundo deputados, levando-o a lugares não avaliados previamente. Sem um assessor a aconselhá-lo, cometeu equívocos: em Toritama (PE), comprou uma camisa sem nota numa feira. A sua agenda tem sido fechada no fim da tarde para o dia seguinte; ninguém sabe o que ele fará daqui a dois dias. ''A campanha será assim mesmo, singela'', rebate o secretário-geral do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ).
Quando detectou a insatisfação crescente, Tasso preferiu acelerar o ritmo da campanha. Programou para terça-feira um jantar de Alckmin com a bancada federal.


