A ofensiva do governador Jaime Lerner (PFL) usada para ‘aniquilar’ as bancadas estadual e federal do PSDB teve êxito na Assembléia Legislativa mas fracassou em Brasília. Os deputados federais tucanos sairam ilesos do processo político que enfraqueceu o partido do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, no Paraná.
O deputado federal Basílio Villani tem uma tese para explicar a preservação da bancada, que com quatro parlamentares. ‘‘O guarda-chuva dos deputados federais é o presidente Fernando Henrique. O dos estaduais, o governador Jaime Lerner’’, diz o parlamentar.
Segundo ele, a pressão do Palácio Iguaçu só teve sucesso sobre a bancada na Assembléia ‘‘pela proximidade e intenso relacionamento’’. ‘‘Para nós, o Jaime (Lerner) não fede nem cheira. Ele não faz nada, mas nem por isso nós o atacamos. Essa posição, que não deixa de ser confortável, não foi entendida pelos companheiros que deixaram a sigla’’, explica.
Na avaliação de Villani, a desfiliação dos sete deputados estaduais ‘‘não passou de amadorismo e de infantilidade’’. ‘‘Eles não usaram a cabeça e podem agora tornar-se inviáveis. O PSDB tem uma facilidade de reposição de peças incrível. No partido, mesmo não precisando apoiar declaradamente o Lerner, teriam a reeleição assegurada, mas agora não’’, pondera.
Luiz Carlos Hauly não tem dúvidas de que o PSDB, mesmo com a debandada dos estaduais, vai eleger no ano que vem 11 deputados estaduais e oito federais. ‘‘Saíram, mas o potencial eleitoral permaneceu intacto’’, analisa. Para o parlamentar, a ‘‘posição de submissão ao governo do Estado’’ dos ex-tucanos facilitou o assédio de Lerner.
O deputado diz que faltou assessoria política na hora dos dissidentes fazerem a opção partidária. ‘‘O PSDB tem garantido 20% das cadeiras. Lançaremos candidato próprio e isso puxará ainda mais votos. Os deputados estaduais não levaram em conta a força que o partido do presidente Fernando Henrique tem’’, observa.

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