PSDB libera prefeitos para campanha
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Leandro Donatti 
O PSDB começou a estruturar a campanha eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador Álvaro Dias no Paraná. O coordenador da campanha tucana no Estado, senador Osmar Dias, reuniu-se ontem no início da noite, no Hotel Clímax, em Curitiba, com os prefeitos do partido que comandam cidades estratégicas. Em troca do apoio eleitoral e logístico, a direção do PSDB liberou os prefeitos para apoiarem a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL) ou a candidatura do senador Roberto Requião (PMDB) ao Palácio Iguaçu.
A decisão tucana confirma que a fórmula de Brasília, criada para evitar o confronto entre PFL e PSDB nas eleições 98 e que nos meios políticos do Paraná ficou conhecida como acordo branco, já está sendo colocada em prática. Osmar Dias, contudo, trabalha para descaracterizar o acerto extraoficial intermediado pelo presidente. O senador voltou a defender a separação de Lerner e do irmão do palanque do presidente Fernando Henrique. Eu já fiz a minha proposta ao presidente. Quando ele vier para a capital, ele sobe no palanque do governador. Quando ele vier ao interior, fica no nosso, assinalou.
Para o senador, o momento não é de confundir a cabeça do eleitor. Estamos chamando os prefeitos para dinamizar a campanha. Mais que a disputa pelo governo do Estado, a nossa prioridade é eleger Álvaro ao Senado e Fernando Henrique à presidência, ressaltou. Osmar acrescentou ainda que faz parte da estratégia do comando tucano ramificar os apoios e atrair prefeitos de outros partidos. O prefeito que apoiar Álvaro e FHC será coordenador da nossa campanha, prometeu o senador. Ele deixou claro ainda aos prefeitos do PSDB que não vê mais os comícios eleitorais como medida eficaz para conquistar votos, razão pela qual a campanha do irmão pode adotar linha alternativa.
A vinda do presidente no próximo dia 7, por exemplo, é um ato administrativo e não de campanha, insistiu o senador Osmar Dias. Ele disse que vai pedir a Álvaro, que chega amanhã da França, que fique firme e que não suba no mesmo palanque de Lerner. O governador está tentando dar uma outra conotação a essa homenagem que as cooperativas estão fazendo ao presidente. Se ele for convidado, não iremos ao evento. O máximo que o PSDB do Paraná fará é receber o presidente no aeroporto e explicar os motivos que nos impedem de dividir espaço, avisou.
A disputa pelos órfãos do ex-governador Álvaro Dias, que desistiu de concorrer ao governo do Paraná para garantir cadeira no Senado, - entre os grupos de Requião e de Lerner - está acirrada. Requião tem o apoio maciço dos candidatos do PSDB à Assembléia Legislativa e Câmara Federal. Parte da migração de votos do PSDB para o PMDB pôde ser verificada na última pesquisa feita pela Brasmarket/IstoÉ, onde o senador apresenta uma melhora no seu percentual eleitoral.
Lerner tem a adesão da maioria dos prefeitos tucanos. Victor Hugo Burko, de Guarapuava, participou do encontro ontem e sinalizou, no entanto, que tem disposição em apoiar candidatura oposta. O que vai pesar na minha decisão é o que o meu grupo acha. Mas não tenho medo de retaliação, caso não venha a apoiar a reeleição do governador, observou.
Prefeito também considerado estratégico pelo comando tucano, apesar de lernerista Jairo Gianoto, de Maringá, reafirmou que subirá no palanque de Lerner. Mas assegurou que fará campanha para o ex-governador Álvaro Dias, sem constrangimento. É claro que seria mais fácil um palanque só (com Álvaro e com Lerner), mas as circunstâncias não permitem. Fica complicado, mas não é impossível, considerou.


