Arquivo FolhaCautelaOsmar Dias: senador diz que o estilo cauteloso de Álvaro, às vezes, é confundido com insegurançaA executiva estadual do PSDB divulga hoje, em Curitiba, moção de apoio defendendo a pré-candidatura do ex-presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias ao governo do Paraná. O documento, cuja elaboração foi coordenada pelo irmão de Álvaro, o senador Osmar Dias, tem dois objetivos: pôr fim às especulações geradas com a morte do ministro Sérgio Motta, de que o PSDB não lançaria candidato próprio, e pressionar Álvaro a assumir de vez que é candidato ao Palácio Iguaçu, afastando-o de qualquer composição com o PFL do governador Jaime Lerner.
A moção será apresentada durante encontro com os coordenadores de campanha do PSDB no Estado. Os dirigentes aproveitam a ausência de Álvaro, que está nos Estados Unidos desde quarta-feira, para difundir a idéia acertada ontem e acabar com rumores que estariam favorecendo o grupo político de Lerner. ‘‘Estamos indo para o interior para colocar esta candidatura nas ruas. Não sou o candidato, mas acho que falta campanha’’, declarou ontem Osmar Dias. Ele montou com os presidentes do partido, Olivir Gabardo, e do Instituto Teotônio Vilela, deputado federal Luiz Carlos Hauly, um cronograma de viagens que terá início no dia 1º de maio.
Osmar disse que o ‘‘estilo cauteloso’’ do irmão, de não antecipar-se à convenção de junho, e ‘‘sua carga de humildade’’ muitas vezes são confundidos com ‘‘insegurança’’. ‘‘A partir desse quadro, decidimos que o partido tem de impulsionar esta candidatura com mais força’’, observou. Osmar aguarda o retorno do irmão com ansiedade. ‘‘De repente, no dia 10, o Álvaro me dá um presente de aniversário e assume que é candidato.’ Osmar integra a ala tucana frontalmente contrária a qualquer acordo com o grupo lernerista. ‘‘Entendemos seu estilo, mas o Álvaro também tem de entender que o PSDB não pode ficar na inércia. Até decisão formal, trabalhamos com a hipótese de que ele é o nosso candidato’’, reforçou.
O senador não vê a posição fechada do senador Roberto Requião, em ser candidato ao governo, como um obstáculo para uma composição do PSDB com o PMDB. ‘‘Todos os que queiram fazer oposição ao governo estão convidados a participar do nosso projeto’’, disse ontem, referindo-se também ao PPB, PTB, PDT e PT. Osmar admite que o PPB é o partido hoje que mais se aproxima do projeto tucano. Os demais, PMDB e PTB, seriam uma opção para um eventual segundo turno. ‘‘Uma aliança com o PPB viabilizaria uma campanha com segurança’’, avaliou. Além de contar com o tempo no rádio e na tevê, o senador disse que a composição com o PPB facilita a interiorização das propostas, já que esse partido está organizado na maioria dos municípios.
Uma ‘legião’ de advogados deverá ser acionada pelo PSDB do Paraná para controlar cada movimento do staff político do governador Jaime Lerner (PFL) nos meses que antecedem a campanha eleitoral. ‘‘Um dos candidatos (Lerner) está no governo. Temos de ficar de olho. A legislação é muito clara e faz uma série de restrições a eventuais abusos’’, ponderou Osmar Dias, avisando que a equipe jurídica, somada ao marketing, será o forte da campanha tucana.
O senador criticou ontem os gastos do governo com publicidade. ‘‘A Justiça Eleitoral de Brasília já tomou algumas atitudes, mas o que se faz no Paraná é uma brincadeira’’, provocou Osmar. Ele referiu-se à decisão judicial que obrigou o governador do Distrito Federal, Cristovan Buarque (PT), a retirar o logotipo de seu governo das obras, entendido como propaganda com fins eleitorais.
Para o presidente interino do PSDB, Olivir Gabardo, os coordenadores de campanha terão um papel preponderante na divulgação da plataforma de Álvaro Dias e no controle de eventuais abusos dos adversários. ‘‘A idéia é percorrermos nos finais de semana as 18 microrregiões do Paranᒒ, explicou. De acordo com o cronograma provisório montado ontem pelos tucanos, a região sudoeste deverá ser a primeira a ser visitada pela cúpula tucana liderada por Osmar Dias, o coordenador da campanha do PSDB.

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