PSDB garante CPI das drogas no PR
Leandro Donatti
De Curitiba
A oposição já tem as assinaturas suficientes para a auto-instalação de uma CPI estadual do narcotráfico. Sob a pressão do senador Alvaro Dias, cinco deputados do PSDB subscreveram ontem à tarde o requerimento da oposição, mais Edson Praczyk, do PL. A oposição tem 23 assinaturas, cinco a mais que o necessário para a criação de uma CPI. A decisão dos tucanos caiu como uma bomba no Palácio Iguaçu. O governo do Estado não vê com bons olhos a instalação de uma comissão parlamentar e a matéria era dada como assunto encerrado. No último dia 22 de março, a maioria governista que dá sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL) na assembléia derrubou um requerimento similar apresentado pela oposição pedindo a criação de uma CPI. A derrubada só foi possível com a conivência dos tucanos, que ontem, na presença de Alvaro, assumiram o discurso de adesão às investigações.
Serafina Carrilho, Albanor Gomes, Renato Gaúcho e Antonio Baratter eram os que mais resistiam à idéia. Tiveram inúmeras oportunidades para subscreverem o requerimento, mas na hora de assinar todos recuaram. Até mesmo depois de o PSDB aprovar por unanimidade, na convenção estadual do dia 25 de março, moção de apoio à instalação de uma CPI com abrangência estadual. A cúpula tucana não precisou de muito empenho para convencer o ex-secretário da Defesa do Consumidor, Sérgio Spada (PSDB), que está de volta à Assembléia. Spada assinou a CPI, bronqueado com o governo. Corre nos bastidores a versão de que o apoio oficial ao vereador Sérgio Beltrame (PFL), na briga pela sucessão em Foz do Iguaçu, estimulou o deputado a se vingar. Já a adesão de Praczyk fazia parte de um acordo do deputado com o restante da bancada.
O líder do governo Valdir Rossoni (PTB) não escondeu a sua surpresa. Eles conseguiram?, indagou. O deputado tem consciência da impossibilidade de, regimentalmente, reverter a situação e já está se preparando para conter os ânimos no decorrer dos trabalhos. Rossoni foi o articulador designado pelo Palácio Iguaçu para frear as insurreições na base governista. Foi ele quem segurou, até quando pôde, os tucanos governistas. Só não conseguiu conter mesmo Neivo Beraldin, José Maria Ferreira e Augustinho Zucchi, os primeiros tucanos a aderirem à CPI estadual. Rossoni tentou convencer o governo de que a instalação de uma comissão parlamentar era inevitável, porém foi voto vencido. Agora, com a adesão dos tucanos e de Praczyk, a tendência é que outros deputados lerneristas se somem ao requerimento.
Responsável pela coleta das assinaturas em nome da oposição, Edgar Bueno (PDT) disse ontem que mais que a pressão do senador Alvaro Dias, a pressão popular falou mais alto. O PSDB soube interpretar o apelo. Não tem como não investigar toda essa pouca vergonha que vimos, desde que a CPI (nacional) passou por aqui (no início de março), observou. Edgar Bueno disse que entre hoje e amanhã apresenta o requerimento com as novas assinaturas. Também para ele é automática a auto-instalação da CPI. Alvaro Dias disse à Folha que não foi por sua pressão que os tucanos aderiram à CPI, mas por vontade própria. Eles mesmos deliberaram sobre isso, assinalou o senador.





