PSDB fecha com PMDB temendo PFL
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Eugênia Lopes e Christiane Samarco Agência Estado De Brasília 
Para afastar o fantasma de uma reconciliação entre o PMDB e o PFL na sucessão do Congresso, o PSDB decidiu formalizar hoje, durante um almoço com toda a cúpula tucana, o apoio do partido à candidatura do PMDB à presidência do Senado. Na reunião, os tucanos deverão divulgar uma carta, com a assinatura dos 14 senadores do PSDB, ratificando o compromisso do partido em votar no candidato a ser escolhido pelos peemedebistas. Era o que faltava para consolidar o apoio do PMDB à candidatura do líder tucano, Aécio Neves (MG), à presidência da Câmara.
O presidente nacional e líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), deverá ser mesmo o candidato à presidência do Senado. O acordo do PMDB com o PSDB está firmado e a candidatura de Jader é irremovível, disse ontem o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Em contrapartida ao apoio dos tucanos à candidatura de Jader, o PMDB garante que não existe a hipótese de o partido voltar atrás no acordo com Aécio Neves.
Mas o PFL ainda tenta reverter essa situação e tem esperanças de conseguir um acerto de última hora com os tucanos, em favor da candidatura do líder Inocêncio Oliveira (PFL-PE) à presidência da Câmara. Não se pode fechar as portas para um entendimento porque em política não existe prato feito e é a ocasião que determina as possibilidades, observou Bornhausen ontem. A estratégia dos pefelistas é garimpar votos para o candidato suprapartidário Inocêncio Oliveira e tentar convencer o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a manter uma trégua com o PMDB.
Os pefelistas estão contando ainda com o aumento do prazo da campanha, depois que o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), concordou com ACM em marcar as eleições para o dia 14 de fevereiro. Com a nova data, a candidatura de Inocêncio será a principal beneficiada porque o pefelista terá mais tempo para angariar votos. O PFL tem lideranças em cada Estado trabalhando por Inocêncio, observou o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC).
Temer defendia a idéia de que seu sucessor fosse escolhido no início de fevereiro, sob a alegação de que a Constituição estabelece que o seu mandato tem duração de dois anos. O Temer é a favor da legalidade e a eleição em 14 de fevereiro soaria como prorrogação de mandato, uma vez que ele assumiu no dia 2, disse o líder Vieira Lima. Mas se ele negociou com o presidente do Senado não tem problema porque o PMDB tem confiança no sucesso de sua estratégia seja no dia 2 ou 14, sustentou o peemedebista.
Para mim é indiferente a data da eleição e, se for mesmo dia 14, é bom porque terei mais duas semanas para trabalhar minha candidatura, afirmou Aécio. Assim como o candidato do PFL, o tucano também começa uma maratona de viagens por todo o País em busca de apoio e votos. Seu primeiro encontro será com o governador de São Paulo, Mário Covas, nesta sexta-feira. Depois, ele vai visitar Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará, Paraíba, Roraima, Rondônia e Amapá.


