A convenção nacional do PSDB, que termina hoje em Brasília, não deve lançar candidato a presidente da República oficialmente, mas mostrou ontem que realmente tem um: é o governador de São Paulo, Mário Covas. ‘‘Ele é a unanimidade dentro do partido e a estrela que nos guia’’, afirmou o presidente do partido, senador Teotônio Vilela Filho (AL), que hoje deverá ser reconduzido ao cargo. ‘‘Sem dúvida nenhuma, o governador Covas é o maior nome que temos hoje depois do presidente Fernando Henrique Cardoso’’, disse ontem o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
A direção do partido provocou a unidade em torno de mudanças que têm por objeto tornar possível um projeto de continuidade no poder, depois de 2002. Evitou falar em nomes para não dificultar o governo do tucano Fernando Henrique, mas a convenção não deixou de expor os planos para a sucessão presidencial: o partido tem candidato e ele é Covas.
O PSDB preparou o terreno para Mário Covas, com o cuidado de não atrapalhar o governo. ‘‘O PSDB não tem chances de se afirmar como partido se o governo Fernando Henrique Cardoso for mal; e, se o governo Fernando Henrique Cardoso for mal, vai afetar também o governo de São Paulo, a imagem de Mário Covas e o próprio PSDB’’, avaliou o deputado e ex-ministro do Planejamento, Antonio Kandir (SP).
A rota traçada pelos tucanos prevê dois anos de trabalho intenso para o partido firmar um perfil distinto dos aliados. É também o prazo dado para o presidente executar o programa de governo para o qual foi eleito. ‘‘A crise está sendo superada graças à ação de Fernando Henrique, que conteve a inflação e evitou a explosão da dívida interna; portanto, é hora de fazermos nossa agenda positiva e falar em governar’’, afirmou Paulo Renato. ‘‘Esse é um compromisso dos aliados que compõem a base’’, continuou ele, cobrando uma postura mais fiel do PMDB e PFL, que avançaram na corrida a 2002.

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