Brasília - O PSDB e o PT começaram a se articular para reorganizar o Conselho de Ética e dar um desfecho ao processo aberto contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar. Depois de constatar que seria impossível arquivar o processo a toque de caixa, como desejava Renan, senadores do PT procuraram os tucanos. A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) conversaram separadamente com o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), o primeiro a denunciar a crise que atinge o próprio Conselho.
Ele se queixou da desorganização e do despreparo do Conselho, que já adiou três vezes a votação e deparou com a renúncia de dois relatores. Isso abriu margem para o início das conversas políticas entre os aliados de Renan com senadores de oposição.
A idéia que surgiu ontem é a nomeação de uma trinca de senadores - Renato Casagrande (PSB-ES), Leomar Quintanilha (PMDB-TO) e Marconi Perillo (PSDB-GO) - já que individualmente ninguém deseja assumir o posto. Mas, nem isso, o presidente do Conselho, senador Siba Machado (PT-AC), conseguiu fechar.
''Precisamos nomear um relator que tenha condições de trabalho e que proponha a investigação certa'', afirmou Sergio Guerra. Por enquanto, os principais líderes políticos do Senado entendem que é necessário resolver os problemas internos do Conselho e, só depois disso, decidir quando e como Renan poderá comparecer para prestar depoimento aos conselheiros.
Renan é acusado de ter suas despesas pessoais - como a pensão alimentícia para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento - pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. E, por conta disso, sofre processo por suposta quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética.
Documentos apresentados pelo senador para provar que tinha recursos próprios e não precisava do dinheiro contêm irregularidades, comprovadas por perícia realizada pela Polícia Federal.

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