Brasília - PSDB e PFL consolidaram ontem uma aliança em torno da candidatura do primeiro vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), para suceder o presidente Severino Cavalcanti (PP-PE), que deverá renunciar ao mandato hoje. Na noite de anteontem, parlamentares do PFL reuniram-se na casa do senador José Jorge (PFL-PE) e fecharam o apoio ao nome de Nonô. Ontem, o acordo com o PSDB foi selado num almoço reunindo líderes dos dois partidos.
Por conta disso, a legenda aceitou abrir mão da pré-candidatura do deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA), aceitando centrar as forças na opção por Nonô. ''Será difícil para o PSDB e para o PT terem o presidente da Câmara porque os dois partidos têm, nitidamente, um projeto de poder'', afirmou Magalhães Júnior, reconhecendo ser difícil a eleição de um tucano ou de um petista para o cargo.
''PFL e PSDB terão um candidato comum. Se as duas bancadas votarem fechadas nesse nome, o que deve acontecer, já são 110 votos'', confirmou o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ).
Nonô ganhou ontem também o apoio do PPS para suceder Severino. O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), defendeu, ao manifestar o apoio ao pefelista, a destinação do cargo de vice-presidente, ocupado, atualmente, por Nonô, a um deputado do PT, uma vez que esta sigla está fora da atual composição da Mesa Diretora da Câmara, desde quando o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) foi derrotado por Severino na disputa pelo cargo.
Os pefelistas avaliam que Nonô tem plenas condições de comandar a Câmara e revitalizar a imagem, depois da crise institucional provocada pelas denúncias de que Severino, supostamente, teria cobrado propina para permitir que o empresário Sebastião Buani tivesse renovado o contrato de funcionamento do restaurante na Casa.
''Vai ser um novo Nonô na presidência e não um líder da oposição'', argumentou Jorge, referindo-se ao fato de Nonô ter sido líder da oposição em 2004 e ensaiar um discurso para diminuir as resistências ao nome do deputado entre os aliados do governo.
PFL e PSDB admitem negociar o cargo de vice de Nonô com o PMDB, ou pelo menos com a parte da sigla ligada ao presidente nacional do partido, Michel Temer (SP), que tem o nome na disputa. O PMDB ocupa a presidência do Senado com o senador Renan Calheiros (AL). No xadrez dos cargos, a negociação da vice-presidência será uma boa moeda de troca para o PFL, que quer eleger Nonô.
Nonô poderá disputar no cargo a cadeira do titular, que ocupará, interinamente, a partir da renúncia de Severino. Consulta feita pelo PFL à assessoria jurídica da Casa dá conta de que não existe impedimento para que Nonô participe da corrida sucessória sem ter de se afastar da vice-presidência. Dizem os assessores que, no caso de ele sair vitorioso da disputa, só teria de renunciar ao cargo que ocupa hoje antes da posse.
Para responder à consulta dos pefelistas, a assessoria da Câmara tomou por base disputas anteriores e considerou haver jurisprudência firmada pelo então presidente, Temer. Candidato à reeleição em 1999, Temer permaneceu no exercício do cargo, praticando até mesmo todos os atos preparatórios do pleito. Ele não só recebeu o registro de candidaturas, como esclareceu questões de ordem e fixou o calendário da disputa, ouvidos os líderes e candidatos. Absteve-se apenas de presidir a sessão em que concorreu à reeleição.

mockup