Lideranças do PSDB e do PFL – reunidas ontem em torno da visita do pré-candidato a presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB) – enfatizaram que mesmo que o PMDB faça parte da coligação nacional, no Paraná, eles não apoiarão uma possível candidatura à reeleição de Roberto Requião (PMDB).
  ‘‘(A coligação com o PMDB) nacional é possível, estadual é impossível. Esta possibilidade inexiste porque somos adversários do governador Roberto Requião. Ele teve a oportunidade de apoiar o PSDB na eleição passada quando o PMDB estava coligado com o PSDB com a candidata a vice-presidente, Rita Camata. Ele apoiou o Lula. Nós já o conhecemos’’, justificou o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). ‘‘O PSDB do Paraná deverá ter candidato próprio’’, complementou. A tese da candidatura própria ao governo do Estado também é defendida por Alckmin. ‘‘Aqui no Paraná temos tudo para ter candidato próprio. O senador Álvaro Dias é o candidato natural do partido.’’
  No entanto, Álvaro demonstrou descontentamento com a condução do processo de sucessão do governo do Paraná pela cúpula do partido no Estado, e disse que agora é um pouco tarde para uma candidatura. ‘‘Agora é um pouco tarde, não tenho essa obrigação, não tenho o dever de disputar o governo. Se há um ano e meio tivessem me convocado, seria candidato em qualquer circunstância. Hoje, o partido se desestruturou, se desorganizou, foi loteado entre alguns e passou a ser um partido adesista, muito ligado ao governo estadual na cúpula, não na base. Hoje é preciso refletir muito, discutir muito. Não há como aceitar uma candidatura nessas circunstâncias’’, argumentou.
  O senador reafirmou o apoio à candidatura de seu irmão, o também senador Osmar Dias (PDT). ‘‘Estou apoiando uma candidatura posta há cerca de dois anos pelo meu partido, que é a candidatura do Osmar, meu irmão. Evidente que eu sempre disse que eu não disputaria com o meu irmão e não disputo. Acho que o PSDB devia ter candidato já há dois anos. Não entendo como o partido possa ter ‘jogado a toalha’ em relação a um projeto de poder. Aliás a cúpula do partido jogou a toalha sem consultar o partido, eu pelo menos nunca fui consultado, chamado a opinar. Agora o partido tem um compromisso, embora não tenha participado da decisão, estou honrando esse compromisso e apoiando a candidatura do Osmar.’’
  O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB), que foi apontado como uma alternativa para a candidatura própria tucana, disse que no momento é candidato à reeleição. ‘‘Sou candidato a deputado federal. O que está acontecendo neste momento, em função da indefinição em especial do senador Osmar Dias, é a possibilidade de ter ou não coligação com o PDT. Da pressão sobre o senador Álvaro Dias, se começa a cogitar alternativas. Quero ser o fator de agregação e não quero neste momento dar margem para criar discórdia.’’
  A coligação PSDB/PFL/PDT no Paraná tem o apoio do líder do PFL na Assembléia Legislativa, Durval Amaral. ‘‘A expectativa é que o PSDB e o PFL possam ampliar essa frente de oposição com o PDT, com a possível candidatura ou do Alvaro ou do Osmar para o governo do Estado. Se nenhum dos dois forem candidatos a governador, uma coisa é certa, o PFL não vai de forma alguma com o PMDB. Aí teremos ou um candidato próprio, ou construiremos outra frente de oposição’’, afirmou. (C.O.)

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