PSDB e DEM tentarão barrar CPMF para evitar 'festa' eleitoral
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domingo, 09 de dezembro de 2007
João Domingos e Marcelo de Moraes<br>Agência Estado 
Brasília - A decisão do PSDB e do DEM de votar contra a emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011 deve-se ao calendário eleitoral. Não se trata de uma repentina onda contrária a impostos. A oposição avalia que com os R$ 40 bilhões da CPMF o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns partidos aliados vão começar a fazer a festa na eleição do ano que vem e só vão terminá-la em 2010, quando será decidida a sucessão de Lula.
Nesse jogo, estão os R$ 8 bilhões do Fundo da Pobreza, que vão para o Bolsa-Família, no atendimento a 11,1 milhões de famílias, tido como o maior cabo eleitoral dos petistas. Sem o dinheiro da CPMF, o governo terá de buscar outras fontes para o Bolsa-Família. É por isso que Lula decidiu dizer, nos últimos dias, que os senadores contrários à CPMF ''não têm juízo'' e querem prejudicar os pobres. A rejeição da CPMF representa também um corte de R$ 23 bilhões para a área da saúde e de R$ 9 bilhões destinados à Previdência, mas que têm sido usados para o superávit fiscal.
Ao lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro, o governo anunciou investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010. A oposição acha que por trás do PAC há um plano eleitoral. Aponta que cerca de R$ 85 bilhões vêm dos cofres do governo e o restante, da iniciativa privada. Por isso, concluiu que a intenção do governo é usar o dinheiro da CPMF para cobrir sua parte no PAC. Isto é, com esse dinheiro poderá tocar obras que renderão votos, além dos repasses para a área social.
''O governo quer usar esse dinheiro para fazer política eleitoral, para gastar R$ 1 bilhão na construção de uma TV pública que vai é fazer propaganda dele'', disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). ''Imaginem um homem com essa disposição, quando se vê contrariado, com a TV pública na mão. E a TV pública não vai ser feita para os pobres. A TV pública vai custar R$ 1 bilhão e não será para os pobres, mas para os ricos, para o governo, para dar emprego aos apaniguados do governo'', acusou.
Tasso foi um dos tucanos que defenderam o diálogo com o governo, na busca de uma saída para a CPMF, com a redução da alíquota e garantias de controle dos gastos públicos. As conversações não prosperaram.
Ao contrário dele, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) é da base do governo. Mas também é contra a CPMF. ''É um absurdo o que está acontecendo. Eu saí do DEM e passei para o PTB, mas não vou mudar meu voto. Se pelo menos todo o dinheiro fosse vinculado à área da saúde. Não temos idéia nem para onde vai'', afirmou.
Para Tuma, o governo tem cometido seguidos erros. ''Não pode fazer o que o ministro Guido Mantega (Fazenda) tem feito. Ele anuncia que se nós derrotarmos a CPMF vai se vingar nos pobres. Esse tipo de ameaça que ele faz é uma distorção.''
O governo tem 46 votos na sua base, mas precisa de um mínimo de 49 - três quintos do Senado - para aprovar a emenda constitucional. Por isso lutando para ganhar apoio no PSDB e no DEM - até agora sem sucesso. A base do governo tem 53 senadores, mas 7 são dissidentes declarados. No PR, Expedito Júnior (RO) e César Borges (BA) são contra a CPMF. ''Nada me fará mudar meu voto. Já decidi e está decidido. Se o partido fechar questão, vamos dizer não do mesmo jeito. Terão de expulsar dois senadores'', afirmou Expedito. ''No começo a pressão foi muito grande. Agora, nem estão me procurando mais.''


