Curitiba- Militantes do PSDB e de outros partidos que devem se aliar aos tucanos nas eleições majoritárias desse ano estiveram ontem no Restaurante Madalosso para comemorar a saída de Beto Richa (PSDB) da Prefeitura de Curitiba. Com a renúncia, Beto confirma a pré-candidatura ao governo do Estado. O evento começou por volta das 14 horas, depois que Luciano Ducci (PSB) tomou posse como prefeito em cerimônia na Câmara Municipal, e reuniu mais de 5 mil pessoas.
Ao chegar ao evento, Beto defendeu a decisão de renunciar ao cargo de prefeito. ''Nunca fui candidato de mim mesmo. Sempre fui convocado a participar. Aqui estamos nos apresentando para essa convocação do PSDB e das pessoas'', declarou. ''Em momento algum a população de Curitiba se sente frustrada com essa decisão que tomei'', completou.
Para o deputado estadual Valdir Rossoni, que é presidente do PSDB-PR e responsável pela organização do evento, a festa foi uma ''recepção ao Beto pela coragem dele deixar a Prefeitura''. ''O exército está pronto para a batalha'', completou. A comemoração contou com a presença do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, que disse ''não ter dúvidas'' de que o ex-prefeito de Curitiba irá ser confirmado candidato na convenção do partido em junho. ''Vamos ter uma vitória importante aqui'', declarou.
Em entrevista à imprensa, Guerra afirmou que a disputa entre Beto e o senador Alvaro Dias - que também pleiteava a candidatura tucana ao governo do Estado - ''será encerrada''. E afirmou que Alvaro ''é um grande quadro'' do partido. ''Todos os senadores do PSDB deveriam estar aqui'', discursou o senador. Alvaro não participou do evento tucano ontem nem atendeu às ligações da reportagem.
Já o outro senador do partido, Flávio Arns, disse que está à disposição do partido para ser candidato à reeleição, assim como para ocupar a função de vice de Beto. ''Se as circunstâncias assim determinarem nosso nome está à disposição'', declarou. Arns passou a ser cogitado como vice depois da grande exposição que recebeu após a morte trágica da tia dele, Zilda Arns, no Haiti, em janeiro.
Também estiveram no almoço representantes do PP, do PMDB, do PC do B, do PPS, do PV, do DEM e do PSB. A saída de Beto da Prefeitura também deve marcar o início de ações mais concretas de aproximação entre os partidos para a formação de alianças. Além do ex-prefeito, também deve intensificar as conversas sobre coligações o principal rival de Beto, o senador Osmar Dias (PDT).
Osmar ironizou a comemoração tucana. Ele declarou que nunca viu ''uma festa de renúncia''. ''Já vi festa de posse, mas de renúncia é a primeira vez'', disse. O parlamentar evitou criticar o oponente. No entanto, disse que ''a população que ouviu do Beto a promessa de que não deixaria a Prefeitura é que deve avaliar'' a decisão do ex-prefeito.
Beto foi aliado de Osmar em 2006, quando o senador disputou o governo com o Roberto Requião (PMDB). Para o prefeito, esse histórico não será problema nas eleições deste ano. ''Não vejo problema nenhum nisso. Não existe coligação eterna. Elas se formam diante de um projeto do momento. Todos os partidos tem o projeto de lançar a candidatura própria. Quando não fazem é porque não tem um candidato com viabilidade. Ou o partido não está preparado o suficiente. Não é o caso do PSDB e do PDT'', declarou.

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