PSDB diz que não abre mão do poder
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domingo, 25 de maio de 1997
Agência Folha de Brasília 
O PSDB aceita a entrega da liderança da Câmara a Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), mas quer o ministério de Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos), que é do PMDB. O PMDB não abre mão do poder que tem e o tom da sua posição foi dado ontem pelo líder Geddel Vieira Lima. No palácio (Planalto) já basta o presidente da República e o PMDB não aceita a saída de Luiz Carlos Santos e não abre mão dos seus espaços, disse Geddel.
A reivindicação dos tucanos, por um espaço mais expressivo na articulação da base parlamentar do presidente, foi ontem pelo líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), depois de se encontrar com FHC no Alvorada. Aécio disse a Fernando Henrique Cardoso que o PSDB não criará dificuldades para que o líder do governo na Câmara seja o deputado Luís Eduardo, se o presidente abrir outro espaço para o PSDB. O líder tucano contou ainda que pediu a FHC que a reforma na articulação política do governo fosse mais ampla e não se limitasse à indicação de Luís Eduardo para a liderança, atuando como o articulador da base governista dentro do Congresso.
Deve haver a mexida na articulação política. É o momento. Mas não deve ficar restrita a mexer uma peça, afirmou Aécio. O deputado defendeu que o PSDB ganhe um espaço novo, central, junto ao presidente da República. Parlamentares tucanos disseram que o espaço novo pleiteado pelo partido poderia ser o Ministério Extraordinário para a Coordenação de Assuntos Políticos, hoje ocupado pelo peemedebista Luiz Carlos Santos.
Nessa montagem que defende, Aécio acha que o melhor nome do PSDB para ocupar o novo espaço político é o do ex-líder, José Aníbal (SP). Ele tem grande aceitação e tem sido o interlocutor do partido junto ao presidente, disse. O líder tucano terá novo encontro com FHC amanhã, após conversar com parlamentares do seu partido sobre o assunto. Segundo ele, o quebra-cabeça da articulação política do governo será montado até a segunda-feira da próxima semana e o ministro Sérgio Motta (Comunicações) não deve ser afastado completamente da coordenação política.
Aécio foi chamado na manhã de ontem ao Palácio da Alvorada. O presidente está consultando os líderes dos partidos governistas na Câmara sobre as alterações que pretende fazer na articulação política do seu governo. Na sexta-feira passada, foi a vez do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Ontem, Inocêncio confirmou a ida de Luís Eduardo para a coordenação política, mas disse que o presidente ainda não tinha definido o cargo.
Poderia ser uma liderança na Câmara ou um ministério, segundo ele. O deputado Luís Eduardo aceitou e vai ser o grande maestro para orquestrar a base de sustentação do governo na Câmara, para garantir a aprovação das reformas, disse Inocêncio. Segundo o líder do PFL, o ex-presidente da Câmara vinha sendo subutilizado pelo governo. Inocêncio disse que a ida de Luís Eduardo para a coordenação política não exclui a participação de Luiz Carlos
Santos na articulação política.


