O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), informou que a oposição vai acompanhar "com lupa" as investigações sobre o suposto envolvimento do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Evangivaldo Moreira dos Santos, com a quadrilha que fraudava o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "É mais um fato grave a demonstrar a falta de critério do PT na escolha de dirigentes para a máquina pública", disse ele.
Por enquanto, segundo o parlamentar, não dá para exigir a demissão do dirigente porque o fato denunciado é anterior à posse dele na Conab e ainda está em fase de julgamento. "Estamos atentos ao desfecho desse caso e também às investigações sobre irregularidades na estatal. Se surgirem novos fatos, vamos avaliar as medidas judiciais e administrativas cabíveis", afirmou. Para ele, Santos é fruto do modo fisiológico de governar adotado pelo PT desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após o escândalo do mensalão, disse o parlamentar, o governo Lula "resolveu lotear o governo e entregar nacos do poder aos partidos da base". Com isso, acrescentou, "os partidos passaram a designar livremente ministros e dirigentes de estatais sem levar em conta a formação técnica, o currículo, o planejamento público e o controle de metas e resultados". Para ele, esse método de montar estrutura de governo "é altamente prejudicial ao País e à administração pública".

Investigado em inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), o mensalão consistia na distribuição de propina entre parlamentares e partidos da base para garantir apoio aos projetos do governo. O esquema, conforme denúncia do Ministério Público, seria comandado de dentro do Palácio do Planalto pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, um dos réus do processo, que nega a acusação.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, em 2006, quando era presidente da Agência Ambiental de Goiás, Santos foi flagrado em conversas telefônicas, grampeadas com autorização judicial, repassando informações sigilosas do concurso da OAB para facilitar a aprovação de João José de Carvalho Filho, seu subordinado.

As interceptações mostraram que ele entrou em contato com os fraudadores por intermédio da secretária da Comissão de Estágio e Exame da Ordem, Maria do Rosário Silva. Revelaram ainda que ele pagou entre R$ 10 mil e 15 mil para aprovar o protegido nas duas fases do exame.

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