PSDB define hoje expulsão dos Dias
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de junho de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O futuro político dos senadores paranaenses Alvaro e Osmar Dias, ambos do PSDB, está nas mãos da executiva nacional do partido. Hoje a cúpula tucana se reúne para deliberar sobre o processo de expulsão dos paranaenses e uma possível intervenção no diretório estadual. O argumento oficial para justificar a expulsão dos irmãos Dias é a recusa dos dois parlamentares de retirarem as assinaturas do requerimento de criação, no Senado, da CPI da Corrupção, para investigar denúncias que poderiam alcançar o governo Fernando Henrique (PSDB). Eles também não estariam seguindo outras orientações partidárias.
Na terça-feira passada, o presidente nacional da legenda, deputado José Anibal (SP), deu o ultimato: se os irmãos Dias não recuassem, seriam expulsos. Osmar e Alvaro garantiram que não retiram as assinaturas. Alvaro, que é presidente estadual do PSDB e pré-candidato ao governo do Estado, avisou que vai à Justiça contra o processo de expulsão.
Apesar de afirmar que vai esperar a decisão oficial da cúpula, Osmar sinaliza sua saída e se diz insatisfeito com o tratamento recebido. Ele tem convites do PMDB (seu antigo partido), PTB, PT, PDT, entre outros. Osmar não é candidato declarado ao governo do Estado, mas também tem pretensões de chefiar o Executivo. A tendência de Alvaro seria buscar partidos de centro-esquerda, de acordo com sua tradição política. O presidente do PPS no Paraná, deputado federal Rubens Bueno, disse que o partido não tem interesse na filiação dos irmãos Dias.
A saída dos irmãos Dias do ninho tucano, se concretizada, terá fortes reflexos na sucessão ao governo do Estado, em 2002. Para o professor Ricardo de Oliveira, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o afastamento dos paranaenses será uma grande perda para a legenda no Paraná. O potencial eleitoral está nas mãos dos irmãos Dias, ponderou. O professor afirmou que a possível saída dos dois será um duro golpe no PSDB, porque diversos deputados ameaçam deixar o ninho tucano na esteira dos senadores. O professor avalia que o posicionamento dos irmãos Dias, contrário aos interesses do governo federal, dá popularidade aos dois paranaenses.
A cúpula tucana trabalha para reincorporar aos quadros do partido o ex-governador do Paraná José Richa e o presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco. Ambos são adversários políticos dos irmãos Dias. Scalco ex-coordenador da campanha de reeleição de FHC nega que tenha intenção de disputar o governo estadual. Apesar de ter ficado nos bastidores da política nos últimos anos, interlocutores próximos avaliam que Scalco pode decidir voltar ao PSDB. A volta dos dois ao PSDB pode ser uma alternativa para o grupo do governador Jaime Lerner (PFL) permanecer no poder. Um dos nomes que poderiam despontar como candidato à chefia do Palácio Iguaçu é o do vice-prefeito Beto Richa (PTB), filho de José Richa.
Cerca de 400 lideranças da Região Oeste do Paraná aprovaram, por unanimidade, um manifesto de apoio aos senadores Alvaro e Osmar Dias, durante encontro realizado no sábado em Foz do Iguaçu. Apresentado no plenário do evento pelo líder da bancada tucana na Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Spada, o documento foi enviado à executiva nacional e alerta que, caso o comando nacional decida pela expulsão dos dois, o PSDB sofrerá uma debandada geral no Estado.


