Belo Horizonte - O PSDB sinalizou ontem que deverá fechar questão em torno da proposta de redução à metade da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), com a partilha de sua arrecadação com Estados e municípios. Reunidos em Belo Horizonte, os principais líderes do partido sinalizaram que não concordam com a extinção da contribuição, proposta defendida na semana passada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando afirmou que ''nada justifica a manutenção da CPMF''.
Os tucanos apostam no embate com o governo, que está na ofensiva pela prorrogação da contribuição no Congresso. ''Com certeza a CPMF não fica como está'', disse o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), após um almoço que reuniu governadores e outras lideranças nacionais do partido.
''Ou ela vai ser reduzida para a metade e partilhada com os Estados para a saúde, ou vai ser eliminada. É essa a posição que nós estamos discutindo, sendo o mais provável, dependendo da conversa com os deputados, partir para reduzir pela metade a sua alíquota, compartilhado com os Estados'', afirmou. ''Não se justifica mais que esse imposto que é injusto socialmente, porque praticamente cobra igual do mais pobre ao mais rico, continue a vigorar com alíquota tão alta.''
O próprio Fernando Henrique saiu em defesa da nova proposta. Ele repetiu que quando a CPMF foi criada, durante seu governo, havia uma ''escassez de recursos''. ''Hoje, como há mais abundância de recursos, somos favoráveis à redução da alíquota. Acabar eu acho que não, porque temos de ver a sa© úde. É preciso dar atenção ao povo em primeiro lugar'', disse o ex-presidente, defendendo também a repartição da arrecadação com Estados e municípios. ''Dado que conjuntura fiscal é favorável''.
Tasso destacou que os recursos deverão ser utilizados obrigatoriamente para gastos na área da saúde. Segundo ele, a atual alíquota de 0,38% cairia para ''no máximo'' 0,20%. A partilha seria de 10% para governos municipais e 20% para estaduais.
O presidente nacional do PSDB garantiu que a posição do partido será única, tanto na Câmara quanto no Senado, e salientou que espera apoio à proposta do DEM e ''parcela importante'' do PMDB no Senado, além de PDT e PP. Para arregimentar apoios, Tasso confia ''no forte suporte dentro da opinião pública'' da proposta. ''Dentro do Senado, nós temos condições de derrubar isso. Vamos ver se a gente consegue articular o que é necessário'', afirmou. ''Existe um forte apelo da opinião pública para que isso venha acontecer e que não aguenta mais tanto imposto''.
O staff tucano, incluindo o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, participou na capital mineira também do seminário ''Um Novo Modelo de Gestão Pública para o Brasil''.
Sobre uma posição de unidade em relação à reforma tributária, Aécio Neves observou que será realizado um encontro entre os governadores e secretários de Fazenda tucanos ''para tentar conhecer a visão de cada Estado''. ''São Estados de regiões diferentes, de dimensão econômica diferente, mas todas as visões têm que facilitar a construção de uma proposta única'', defendeu o governador de Minas.

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