Curitiba - A Executiva Estadual do PSDB tirou ontem o partido da indefinição política e resolveu migrar para a oposição ao governo Roberto Requião (PMDB). A decisão foi tomada após as tensões vividas entre o governador e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. Requião acusou Beto de ter recebido recursos do tesouro estadual em dezembro de 2002 para a sua campanha ao governo do Estado. Beto rebateu apontando questinamentos sobre licitações (como da compra de 22 mil televisores e saneamento no litoral) que precisariam ser explicadas pelo governador.
O impasse foi a mola propulsora para a decisão da Executiva Estadual - que quer definir um rumo para o partido e fortalecer nomes para as eleições de 2008 e 2010. Por 11 votos contra dois (uma abstenção e um voto contrário), o partido definiu que irá ter posição de fiscalização das ações de Requião. ''Os deputados, na Assembléia, terão que seguir a orientação do partido. Quem não atender ficará desconfortável e responderá processo ético. O que queremos é reestruturar o partido no Estado. Resolvemos não dar amém para tudo o que vem do governo. Questionaremos tudo'', garantiu o deputado estadual Valdir Rossoni, presidente do PSDB do Paraná e líder da Oposição na Assembléia Legislativa.
O prefeito Beto Richa saiu satisfeito da reunião de ontem. ''A partir de agora vamos construir candidaturas fortes. Vamos buscar explicações de atos do governo do Estado que não estejam explicitados. Vamos fortalecer nossas bases'', disse. Beto não acredita que a decisão provoque uma debandada de tucanos do partido. ''Não encontramos um motivo para que o partido apoiasse o governo do Estado. Sempre fomos opositores a ele. Não iríamos votar hoje contra a história do PSDB do Paraná''.
O senador Alvaro Dias não teve direito a voto. Mas tentou evitar que o PSDB decidisse ser oposição a Requião. ''É difícil agora defender uma postura. Acho que o partido deve orientar os deputados na questão programática, mas não deve obrigar ninguém a votar contra ou a favor a algum projeto. A pessoa precisa ser livre para decidir'', defendeu o senador.
Nenhum integrante do PSDB poderá ter cargo no governo do Estado. O deputado Nelson Garcia (atual secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social) deverá pedir desfiliação do ninho tucano.

mockup