PSDB dá ultimato, mas Dias não recuam
Os senadores tucanos Alvaro e Osmar Dias não se intimidaram com o ultimato do presidente nacional do PSDB, deputado José Anibal (SP). Na reunião da executiva nacional, anteontem à noite, o partido fechou questão contra a CPI da Corrupção, que tem o objetivo de investigar a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O partido deu prazo até terça-feira, quando acontece a próxima reunião da executiva, para os irmãos Dias retirarem as assinaturas do requerimento de criação da CPI. Se não recuarem ou não deixarem o ninho tucano voluntariamente serão expulsos.
Alvaro e Osmar garantiram ontem que não retiram as assinaturas e que não vão deixar o partido enquanto não sair uma decisão oficial. A reunião de anteontem foi mais um capítulo na novela dos irmãos Dias, que começou na semana passada. No dia 6, Anibal anunciou o afastamento dos senadores paranaenses. Segundo Anibal, a decisão foi tomada por unanimidade da cúpula tucana nacional porque os senadores se recusaram a retirar as assinaturas da CPI.
Com apoio velado de FHC, Anibal e o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), decidiram enfrentar a bancada no Senado, contrária à expulsão dos irmãos Dias, e reafirmaram no dia seguinte a decisão de punir os parlamentares. Na avaliação de Arthur Virgílio, os irmãos Dias assinaram a CPI por motivos eleitorais no Paraná.
A bancada estadual suspeita que o processo de afastamento de Alvaro e Osmar seja uma articulação capitaneada nos bastidores pelo ex-senador José Richa e pelo presidente brasileiro da Hidrelétrica de Itaipu, Euclides Scalco. O objetivo seria tomar o partido e viabilizar uma candidatura à sucessão de Jaime Lerner (PFL), mantendo o grupo no poder. Richa saiu do PSDB em 1997, quando o diretório se recusou a aceitar o ingresso de Lerner. Richa e Scalco negam que tenham planos de voltar à política. Negam também articulação para tomar PSDB.
Ontem, Osmar e Alvaro se reuniram com o líder da bancada tucana no Senado, Sérgio Machado (CE), que repassou o ultimato da executiva. O encontro foi rápido. Anibal não compareceu. Osmar quer um documento que formalize a decisão. Alvaro também vai esperar até terça-feira.
Osmar já sinalizou sua disposição em mudar de sigla e tem várias convites, inclusive do PMDB, seu antigo partido. Alvaro reclama que não há respaldo legal na decisão e argumentou que não há retroatividade no fechamento da questão. De acordo com ele, a decisão da executiva só valeria para fatos que ainda não ocorreram. Alvaro afirmou que consultou o estatuto do PSDB e que um processo disciplinar teria que passar necessariamente pelo diretório nacional depois de ouvido o Conselho de Ética. Segundo ele, só depois de conhecer formalmente as providências da cúpula tucana é que vai avaliar possibilidades.
Anibal não parece disposto a recuar. Disse que se trata de uma decisão política. Hoje pela manhã, Alvaro, presidente do PSDB no Estado, reúne-se com a executiva estadual para tratar do assunto.





