A Executiva Nacional do PSDB não fará apelos ao governador paulista, Mário Covas, para que ele reconsidere sua decisão de não disputar a reeleição. Reunidos ontem em um almoço político com a participação do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, os dirigentes tucanos decidiram passar a tarefa da reconciliação de Covas com o governo federal ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Apelos só serviriam para mediocrizar nossa relação e dar a impressão de não se estar levando a sério a decisão do governador’’, justificou o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM). ‘‘Vou conversar com o presidente Fernando Henrique ainda hoje (ontem) e vou pedir para ele cuidar da situação nos Estados’’, anunciou o presidente do partido, senador Teotônio Vilela (AL).
A cúpula tucana admite que a renúncia de Covas à reeleição expôs todas as dificuldades de relacionamento entre o Palácio do Planalto e os candidatos do partido a governos estaduais. ‘‘O momento é de turbulência e o partido sofre pressão de todas as formas’’, resumiu o presidente Teotônio Vilela. A direção do partido avalia que Covas falou e agiu em nome dos tucanos descontentes e que isto vai encorajar todos os demais a expor publicamente suas queixas e suspeitas de traição nos Estados para favorecer o projeto da reeleição de Fernando Henrique.
Ex-presidente do PSDB que deixou o posto por causa de desentendimentos com o ministro Sérgio Motta, Pimenta da Veiga cobra do presidente Fernando Henrique que estabeleça uma regra de relacionamento ‘‘institucional’’ com os candidatos do partido. ‘‘Uma coligação nacional não pode ser operada em desfavor do PSDB’’, prega Pimenta, que disputará uma vaga na Câmara pelo PSDB mineiro. Ele resume de público o que os dirigentes do partido preferem tratar discretamente, nas avaliações de bastidor.
‘‘O problema dos prejuízos financeiros da lei Kandir nos Estados existe, mas o que incomoda Covas é o tratamento mais do que protocolar que Fernando Henrique dispensa ao ex-prefeito Paulo Maluf’’, pondera Pimenta da Veiga. Ele próprio acrescenta que o mesmo raciocínio vale para Minas Gerais, onde o governador Eduardo Azeredo queixa-se dos bons tratos do governo federal a seu adversário Newton Cardoso, do PMDB. ‘‘Há carinhos que não podem existir’’, criticou o ex-presidente do PSDB.
O clima de desconfiança é geral. O governador do Pará, Almir Gabriel, queixa-se de que o governo federal não lhe deu condições de fazer uma boa administração no Estado. Os tucanos do Rio de Janeiro desconfiam que o Palácio do Planalto fechou um acordo para eleger o ex-prefeito César Maia, do PFL, contra o governador tucano Marcello Alencar.
No Espírito Santo, a suspeita é a de que o Planalto aliou-se ao líder do governo no Senado, Élcio Alvares (PFL), em favor de uma chapa com o PMDB do senador Gérson Camata na cabeça para o governo estadual. O acerto deixa de fora o ex-prefeito de Vitória, Paulo Hartung, que lidera as pesquisas para governador. ‘‘Não adianta forçar soluções regionais em nome de uma aliança nacional’’, disse Hartung, depois de uma conversa com Teotônio Vilela na sede do partido ontem em Brasília. ‘‘Estou acompanhando isto tudo e não estou gostando do que estou vendo.’

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