Brasília O governador do Ceará, Tasso Jereissati, continua muito magoado com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que a seu ver desequilibrou para o lado de José Serra a disputa para a escolha do pré-candidato do PSDB à Presidência da República. É o que informam os seus aliados, que também sabem que, desde ontem, ele está praticamente isolado e que, se tentar abrir uma dissidência, poderá ficar sozinho. Como o projeto do PSDB, do qual Tasso é fundador, é o de permanecer no poder, seus amigos admitem que ele terá dificuldades em optar pelo isolamento.
O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), fiel ao governador de seu Estado, acha que, diante do apoio da cúpula do PSDB à candidatura de José Serra, será difícil articular uma resistência à escolha do ministro ou de abrir dissidência em favor da candidata de Roseana Sarney (PF), com quem Tasso tem mantido sucessivas conversas – a última, no dia 28, foi de seis horas, em São Luís (MA).
Há um grupo grande de dirigentes do PSDB que trabalha para levar Tasso de volta às principais articulações do partido. O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, ligou ontem para ele para dizer que, se o PSDB ficar unido, José Serra tem tudo para vencer a eleição.
Pimenta da Veiga participou, ontem, do almoço no apartamento do secretário-geral do PSDB, Márcio Fortes (RJ), quando o partido lançou a pré-candidatura de Serra a presidente da República. O ministro, ao sair do almoço, disse que estava tudo bem com o grupo de Tasso Jereissati, do qual é aliado. Também foram a campo para manter Tasso integrado ao partido e, se possível, à campanha de Serra, o ministro Arthur Virgílio Netto, secretário-geral da Presidência da República. Ontem, durante entrevista, ele declarou que a aproximação entre o governador do Ceará e Serra deve se dar o mais urgente possível. Pimenta e Arthur eram defensores da candidatura Tasso.
O presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP), marcou jantar com com Tasso Jereissati no próximo domingo. O encontro dos dois havia sido acertado antes do Ano Novo, mas depois do almoço de ontem, os principais articuladores da candidatura de Serra decidiram dar-lhe um caráter muito mais especial. Chegou-se até a falar na possibilidade de Serra viajar com Aníbal para também se encontrar com o governador.
Aníbal afirmou que é missão do presidente do partido criar condições para que o PSDB seja unificado, sem dissidências. ‘‘Minha intenção é manter a unidade do partido e tenho informações suficientes para dizer que o governador Tasso Jereissati agirá partidariamente.’’ E afirmou que não há possibilidade de que ocorra uma desestabilização no partido, porque hoje o PSDB caminha para a união.
O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), um dos principais articuladores da campanha de José Serra, afirmou que o partido não pode abrir mão do apoio do governador do Ceará. Para ele, o PSDB está praticamente unido. O ideal mesmo, disse, é que fosse 100% a favor da candidatura de José Serra e isso é possível com a adesão do grupo de Tasso Jereissati.

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