PSDB confirma Beto e 'aguarda' Osmar
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sábado, 19 de junho de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 800 delegados do PSDB do Paraná confirmaram ontem, na convenção da legenda, o nome do ex-prefeito de Curitiba Beto Richa para disputar a vaga de governador do Estado nas eleições de outubro. Até o fechamento da edição, os votos anda não tinham sido apurados, mas os nomes de Beto e também do deputado federal Ricardo Barros (PP) para a vaga de senador na mesma chapa foram dados como certos. A dúvida permanece em relação à possibilidade de aliança com o PDT de Osmar Dias: Esperamos o PDT de braços abertos. Existe uma expectativa muito forte. Nunca escondi a admiração que tenho pelo Osmar. E é um caminho natural, pois fomos juntos nas eleições de 2006, de 2008. Ele não precisará explicar a nossa união para a opinião pública, afirmou Beto, durante entrevista à imprensa no final da manhã de ontem.
Beto não quis antecipar quem seria seu vice na chapa, caso a aliança com Osmar não for confirmada. Mas a palavra final será minha, indicou Beto. A proposta feita pelo PSDB ao PDT permite que o nome para a vaga de vice na chapa de cabeça tucana seja indicado pelos pedetistas. Uma das vagas ao Senado na chapa também seria preenchida pelo PDT. Segundo o presidente do PSDB estadual, Valdir Rossoni, os tucanos esperam que Osmar apresente uma resposta até a próxima terça-feira. Na abertura da convenção, Rossoni pediu aplausos a Osmar e elogiou o trabalho do deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT), cotado para vice de Beto, numa eventual coligação.
Durante a coletiva, Beto amenizou, contudo, o protesto da ala tucana contrária à aliança com o PP. Questionado sobre como apararia as arestas, Beto respondeu que não há aresta nenhuma: O PSDB é democrático e a vontade da maioria sempre prevaleceu. Evidente que numa aliança grande (mais de dez partidos devem se unir a Beto), você não consegue conciliar todos os interesses, mas eu respeito a opinião divergente.
Embora a ala do PSDB que apoia a coligação com o PP seja maioria, o grupo que já se manifestou contra a legenda de Ricardo Barros manteve ontem, na convenção, a mesma postura. A coligação com o PP é uma lástima. A gente nem sabe se os coligados vão estar com (José) Serra ou não. Serra eleito (presidente da República), ele vai poder contar com o PP?, afirmou ontem à FOLHA o senador Flávio Arns (PSDB). Na esfera federal, o PP atualmente integra a base de apoio ao governo Lula (PT).
Há algumas semanas, a ala tucana inconformada com a coligação com o PP, que inclui nomes de peso dentro da legenda, como os deputados federais Gustavo Fruet e Luiz Carlos Hauly, enviou uma manifestação à Executiva Nacional do PSDB, mas o grupo não obteve uma resposta até ontem. A aliança é ruim em todos os sentidos porque enfraquece o partido. Não estou julgando as pessoas, a caminhada delas. Só acho que desfigura o partido. No Congresso Nacional, para comandar comissões, por exemplo, você depende do número de senadores eleitos pelo PSDB. E a gente nem sabe se os coligados vão estar com Serra ou não, afirma Arns.
Para o senador, a possível aliança com o PDT de Osmar, desejada pela maioria tucana, também é questionada, já que o PDT, nacionalmente, caminha ao lado do governo Lula (PT): É uma distorção do processo eleitoral. Como é que um candidato do PDT, na chapa do PSDB, não pode subir no palanque do Serra? Tem que ter afinidade. As alianças não podem ser feitas só para que se vença uma eleição.
Questionado sobre o assunto, Ricardo Barros disse que já conversou com a ala do PSDB contrária à aliança. No Paraná, nós sempre estivemos juntos. Apoiei Beto Richa em 2002, na disputa ao governo do Estado, a pedido do Fernando Henrique Cardoso. Me sinto confortável, declarou ele.
Um texto extraoficial chegou a ser distribuído ontem durante a convenção para informar aos delegados que Barros poderia ser impedido de participar das eleições em função da lei Ficha Limpa por conta de uma condenação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ato de improbidade administrativa relativo à época em que ele era prefeito de Maringá. Não é o caso. A lei do ficha suja não me atinge porque se tratava de uma improbidade não dolosa, respondeu.


