Agência Estado
Políticos aliados ao governo consideram cada vez mais difícil a permanência do delegado João Batista Campelo, empossado nesta semana no comando da Polícia Federal. A Executiva Nacional do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, decidiu ontem recomendar a demissão do delegado, acusado de ter praticado tortura durante investigações conduzidas na década de 70. A posição do partido foi tomada em uma reunião em que participaram 27 integrantes da cúpula tucana para ouvir o ministro da Saúde, José Serra. Algumas lideranças do PSDB avaliam que Campelo deverá deixar o governo até o início da próxima semana.
‘‘Campelo ficou sem condições políticas de permanecer no cargo’’, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL). Segundo ele, independente de o diretor da PF ser ou não inocente das acusações que lhe atribuem, durante os últimos dias criou-se um ambiente desfavorável para a sua permanência em um posto de confiança do governo. ‘‘Ele não tem condições de ficar com provas ou sem provas’’, cobrou o senador, ressaltando que esta é uma posição do partido e não do Palácio do Planalto.
Teotônio disse ainda que em uma conversa que teve com Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto, o presidente lhe garantiu que ‘‘não admitiria Campelo em seu governo caso ficasse comprovado o envolvimento do diretor da PF com práticas de tortura’’. ‘‘Afinal, direitos humanos é uma cláusula pétrea do PSDB’’, acrescentou. As declarações de Teotônio foram reforçadas por outros tucanos.

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