São Paulo - O PSDB está cobrando uma taxa de R$ 2,5 mil para inscrever seus 38 candidatos a vereador nas eleições de outubro na cidade de São Paulo. O diretório municipal do partido enviou um e-mail aos filiados que concorrerão à Câmara de Vereadores solicitando que o valor fosse pago até o dia 30 de junho, com a documentação necessária para o registro dos nomes na 1 Zona Eleitoral.
O e-mail foi repassado ao Grupo Estado pela candidata Daniela Schwery, de 31 anos, descontente com a cobrança. ''Lembramos que há uma taxa de inscrição de R$ 2.500,00 por candidato, destinada a cobrir os gastos com escolha e registro'', diz a mensagem, que tem como remetente a secretária geral do diretório.
Concorrendo pela primeira vez em uma eleição, a comerciante Daniela disse que só soube da taxa no dia 28 de junho, quando recebeu a mensagem, dois dias antes do fim do prazo dado pelo partido para o fim das inscrições. O registro de candidaturas para vereador e prefeito nas eleições deste ano terminou na quinta-feira, e as campanhas começaram nesta sexta-feira em todo o País.
Daniela conta que já está filiada há cerca de três anos no PSDB, e que já foi do Partido Verde (PV) anteriormente, mas diz que nunca tinha ouvido falar do pagamento. Depois de diversos bate-bocas, segundo Daniela, ela entregou os documentos, mas só fez o pagamento um dia depois. ''Paguei com cheque pré-datado, já pensando em sustar'', disse. ''Não queria ser cúmplice daquele estelionato.''
Na noite de segunda-feira, Daniela ainda registrou um boletim de ocorrência no 14º DP (Pinheiros), a fim de documentar o pagamento. ''Sei que depois disso minhas pretensões políticas serão prejudicadas, mas me senti lesada'', informou. ''Não só eu como outras pessoas.'' Daniela não desistiu da sua candidatura, e, segundo a assessoria de imprensa do PSDB, seu registro foi feito normalmente.
Outro lado
A assessoria do PSDB confirmou a cobrança da taxa mencionada, mas informou que ela não é obrigatória, nem uma condição para que os filiados tenham suas candidaturas confirmadas. ''Tem gente que não pagou e nem por isso deixou de ser registrada'', afirmou a assessoria por telefone. O número de pessoas que não pagaram não foi informado.
O PSDB paulistano disse ainda que ''a prática é comum, não só no PSDB como em todos os partidos'', e que Daniela foi uma das únicas candidatas a se opor à contribuição. O valor serviria para ajudar no custeio da documentação, das convenções e das atividades feitas para escolher os candidatos.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, a cobrança de taxas pelos partidos não representa uma ilegalidade em si e eventuais questionamentos devem ser feitos na Justiça Comum.

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