PSDB cede e DEM indica Indio da Costa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Marcelo de Moraes<br>Agência Estado 
Brasília - Sob pressão do DEM e diante do risco de desmonte da própria candidatura presidencial, o PSDB entregou ontem, ao partido aliado, o posto de vice-presidente na chapa encabeçada pelo tucano José Serra. O nome que valerá 3 minutos a mais no programa eleitoral do candidato no rádio e na televisão é o do deputado federal Antonio Indio da Costa (RJ), ligado ao grupo político do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia.
O acordo foi fechado no prazo limite permitido pela Lei Eleitoral. Se não houvesse entendimento previsto até a meia noite de ontem, Serra teria que disputar a eleição contra a petista Dilma Rousseff apoiado apenas por PPS e PTB, além de seu próprio partido. Houve o consenso de que isso seria praticamente uma sentença de morte para a candidatura, já que as alianças regionais se desmantelariam e o tempo de propaganda na televisão ficaria reduzido à metade dos minutos que Dilma terá à disposição.
Foi a consciência desse quadro político que fez Serra, pessoalmente, reabrir a conversa com o DEM e rever a indicação do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para a vaga de vice-presidente. Em uma demonstração de que a aliança estava pacificada, Serra desembarcou ontem, no início da noite, na convenção do DEM, em Brasília, para abençoar o vice. O presidenciável anunciou Indio da Costa como um ''político da nova geração'' e ''peça fundamental na aprovação do projeto Ficha Limpa''.
Com a chapa montada, a ideia da coordenação de campanha de Serra é a de mudar imediatamente de agenda. Esquecer o conflito entre os dois partidos e trabalhar para somar ao tucano características positivas trazidas por Índio para a campanha, como o fato de ele ter sido o relator do projeto da Ficha Limpa.
Pouco conhecido do cenário político, o deputado do Rio atendeu a um dos critérios que Serra considerava interessante. Ter um companheiro de chapa que representasse algo novo dentro da política. Além disso, Serra também reconhecia que a escolha poderia ajudá-lo a colher votos no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do País e onde sua candidatura vinha perdendo apoio.
A escolha de Indio também serviu de estímulo para que o DEM recuperasse a vontade de fazer campanha a favor de Serra. Depois que o tucano sinalizou com o veto a presença de um integrante do DEM na sua chapa, o partido se preparou para o desembarque da candidatura presidencial.
Indio é um político com trânsito nas principais alas do Democratas. Mesmo tendo sua origem política ligada ao ex-prefeito do Rio Cesar Maia, Indio da Costa é um dos parlamentares mais próximos do líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC). Ele não fazia parte da primeira lista de ''candidatos'' do DEM para formar chapa com Serra. A lista original era formada pelos deputados José Carlos Aleluia (BA), Carlos Melles (MG) e pela vice-presidente do DEM Valéria Franco (PA).
''É com muito orgulho que aceito essa tarefa em nome do DEM. Confesso que foi uma surpresa para vocês e para mim também'', admitiu Indio, ao se apresentar como candidato a vice na convenção nacional do DEM que aprovou a coligação com Serra ontem à tarde.


