Leandro Donatti
De Curitiba
O PSDB do Paraná aprovou ontem moção de apoio em defesa da investigação do narcotráfico e do crime organizado no Estado. A decisão, antecipada pela Folha na edição de ontem, é uma clara tentativa de forçar a reabertura da CPI estadual, arquivada pela maioria governista na Assembléia Legislativa na última quarta-feira. Reconduzido ao comando estadual do partido, o senador Alvaro Dias disse que investigações aprofundadas sobre a rede da droga desvendada pela CPI nacional tornaram-se ‘‘imperativo’’ para a sociedade do Paraná. Razão pela qual, os tucanos decidiram tomar uma posição partidária, numa estratégia de enquadrar os cinco parlamentares que serviram aos interesses do Palácio Iguaçu ao não aderir ao requerimento pró-CPI, da oposição.
Alvaro não esconde que o escândalo envolvendo a Polícia Civil do Paraná favorece o seu projeto político de ser governador do Paraná em 2002. ‘‘A crise vivida pelo governo Lerner antecipa as propostas de candidaturas. Em outros tempos isso (falar de uma eleição dois anos e meio antes) seria inimaginável’’, declarou o senador, minutos antes de iniciar a convenção estadual do PSDB, no auditório Fernanda Montenegro, acoplado ao Shopping Batel. ‘‘Não só os militantes tucanos, mas a sociedade do Paraná no geral se ressente de uma autoridade estadual que exerça um bom governo’’, discursou Alvaro.
O presidente do PSDB do Paraná teve o cuidado ontem de não se indispor com os deputados estaduais que dão respaldo político ao Palácio Iguaçu. Segundo ele, a moção representa uma posição do partido sobre um problema grave, o narcotráfico. ‘‘Os deputados (aqueles que não aderiram à CPI) têm de agir com espontaneidade, sem pressão. Encarando a investigação do narcotráfico e do crime organizado como uma questão de dignidade’’, ressaltou. Irmão de Alvaro, o senador Osmar Dias também defendeu a reabertura das discussões em torno de uma CPI estadual. Segundo ele, a convenção expressou um desejo de todo o partido. ‘‘Se eu fosse deputado não pensaria duas vezes em manifestar a vontade popular’’, observou.
O escândalo do narcotráfico foi sem dúvida a tônica da convenção tucana, que começou às 10 horas e foi até às 14 horas. Temas como o aumento do pedágio e o endividamento do Estado também rechearam os discursos. Na opinião do deputado federal Luiz Carlos Hauly, ‘‘todos os governos temem uma CPI, especialmente o do Paraná que enfrentou uma crise com o (João Ricardo Képes) Noronha e com o Cândido (ex-secretário Cândido Martins de Oliveira)’’, assinalou. O presidente do PSDB de Curitiba e pré-candidato a prefeito em outubro, deputado federal Max Rosenmann também fez um discurso inflamado. Criticou principalmente Cândido Martins, dizendo-se chocado com os elogios manifestados pelo ex-secretário em favor de Noronha, na posse de José Tavares. ‘‘O secretário demitido protege o Noronha, que é um ladrão, um foragido, um traficante’’, disparou.
Rosenmann foi apresentado aos militantes como pré-candidato a prefeito de Curitiba, assim como os deputados Flávio Arns e Neivo Beraldin. Ao contrário do que vinha se esboçando, o comando tucano bateu na tecla ontem de que o partido precisa mais do que nunca lançar candidato próprio em Curitiba. Para a disputa em Londrina, o comando colocou os nomes de Hauly; do deputado federal Alex Canziani; do reitor da UEL, Jackson Proença Testa; e do vereador Tercílio Turini.
A Folha tentou contato com o secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, responsável pela articulação política do governo Lerner, para repercutir a convenção tucana. O celular do secretário estava desligado e não houve retorno ao recado deixado em sua secretária eletrônica.