Brasília- No melhor estilo petista de enquadrar os radicais que combatem as propostas do governo, ontem, foi o PSDB que puniu os rebeldes tucanos que teimam em apoiar as reformas petistas, antes mesmo de ouvir a posição do partido. O líder tucano na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), destituiu de todos os postos e funções em que representam a legenda dois dos maiores expoentes da ala rebelde que se intitula ''Grupo dos 12''.
O deputado Osmânio Pereira (MG) perdeu a cadeira na Comissão Mista de Orçamento e o colega Salvador Zimbaldi (SP) foi desligado das comissões técnicas de Minas e Energia e de Ciência, Tecnologia e Comunicação. ''O PSDB é um partido de oposição. Quem quiser ser governo deve ter a decência de deixar o partido'', diz o líder. A partir de agora, os dois deputados também serão excluídos da relatoria de medidas provisórias (MPs) e ficarão fora da lista de indicados para relatar, presidir ou participar de qualquer comissão especial criada para examinar propostas de emenda constitucional (PECs).
A decisão veio em resposta ao anúncio público de apoio ao governo petista e às reformas previdenciária e tributária feito na véspera pelos dois, ao mesmo tempo em que o líder reunia a bancada para debater os pontos falhos das propostas com especialistas em Previdência e tributos. Magalhães Júnior explica, porém, que só agiu depois de cruzar os votos dos liderados em todas as votações ocorridas desde 15 de fevereiro, quando começaram os trabalhos legislativos.
O líder constatou que Zimbaldi e Pereira só seguiram a orientação do PSDB quando ela coincidiu com a recomendação de voto da liderança do governo.
Preocupado com as notícias de que os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), têm, no mínimo, simpatia pela movimentação dos rebeldes do PSDB em favor das reformas que eles assinaram, Neves deu ontem um discreto puxão de orelhas nos dissidentes. Segundo ele, os governadores ainda se reunirão com as bancadas e setores da sociedade ligados ao PSDB para discutir as reformas, e qualquer posição tomada antes deste debate é uma precipitação. ''Ações isoladas não contribuem para o amadurecimento das propostas e muito menos para o crescimento do PSDB. Espero que essas posições possam ser revistas'', disse Neves.
Mas este não é o único problema do governador, do líder e muito menos do PSDB, que vive um racha explícito diante de richas pessoais e disputas internas de poder que envolvem a atual executiva, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), os oito governadores tucanos interessados nas reformas e as bancadas que insistem em fazer oposição ao governo petista. Isto para não falar das sequelas provocadas pelo comportamento da bancada do PSDB do Senado, que colaborou para evitar a abertura de processo para apurar a responsabilidade do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no escândalo do grampo telefônico ilegal.

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