Curitiba - A política de alianças do PSDB do Paraná para as eleições municipais privilegiou as 20 maiores cidades do Estado, onde estão concentrados 48% dos eleitores. A composição das chapas reflete a base de apoio obtida pelo governador Beto Richa na Assembleia Legislativa (AL), com os partidos representados na Mesa Diretora obtendo preferência de coligação nestas cidades.
Os dados consolidados da Justiça Eleitoral mostram que a sigla lançou, nos maiores colégios eleitorais, cinco candidatos competitivos a prefeito, dez vices em cidades estratégicas e abriu mão de compor a chapa principal em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa para fortalecer os candidatos alinhados com o governo do Paraná. ''As chapas para prefeituras foram construídas olhando para o PSDB e para o grupo de aliados, com composições em várias cidades'', confirma o deputado estadual Valdir Rossoni, presidente do PSDB.
PSB, PP, PPS, DEM e PMDB são os principais parceiros dos tucanos nas disputas eleitorais, com apoio frequente do PSC e PSD nas coligações. As legendas menores foram atraídas pela articulação, permitindo que os candidatos apoiados pelo governo do Paraná tenham, em média, coligações com mais de dez partidos, com reflexo direto no tempo disponível na propaganda eleitoral gratuita na televisão e rádio.
''O PSDB possui o maior número de candidaturas próprias, disputando 166 municípios, e composições em outras 130 cidades'', argumenta Rossoni, antecipando-se à crítica feita por alguns militantes ao processo de formação de chapas, que teria preterido a legenda nos grandes centros urbanos em nome da reeleição de Beto Richa em 2014. ''Não se fala em reeleição antes dos resultados municipais'', respondeu o presidente da AL, minimizando o argumento dos tucanos descontentes.
Não é à toa que das 20 cidades, quatro tenham deputados estaduais da base na disputa. Reni Pereira (PSB), segundo-secretário da AL, concorre em Foz do Iguaçu com uma vice do PSDB. Waldyr Pugliesi, presidente estadual do PMDB, tem um vice tucano em Arapongas. O PDT de Osmar Dias disputa Cascavel e Umuarama compondo com o PSDB, a quem também cedeu os candidatos a vices. A legenda também ocupa a segunda vice-presidência na AL, com o deputado Augustinho Zucchi, candidato em Pato Branco com vice tucano.
Em Ponta Grossa, o suporte do PSDB deu ao deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) uma coligação de 10 partidos, que inclui o DEM do primeiro-secretário da AL, Plauto Miró, cotado para a próxima vaga do Tribunal de Contas do Estado. A vice ficou com o PSD. Em Londrina, indicaram o vice de Marcelo Belinati (PP), sobrinho do ex-prefeito e ex-deputado estadual Antônio Belinati.
O PP, do secretário licenciado Ricardo Barros, apesar de não ter cargo de direção na AL, tem o maior número de candidatos a prefeito com vices tucanos. Além de Londrina, o caso se repete em Maringá, Toledo e Guarapuava. No Centro-Sul, contudo, a estratégia foi diferente. Os tucanos fizeram uma aliança com o PP de olho na eleição de vereadores, pois acreditam na eleição do deputado Cesar Silvestri Filho (PPS), filho do secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu) e ex-prefeito de Guarapuava, Cézar Silvestri.
Os tucanos também desaceleraram em Apucarana, onde têm candidato próprio, e Pinhais, onde lançaram a única chapa pura sem coligação, pois o atual prefeito Luizão Goulart, do PT, tenta a reeleição com bons índices de aprovação popular. Em São José dos Pinhais, vão com Luiz Carlos Setim (DEM), ex-prefeito, contra o atual, Ivan Rodrigues, do PSD. Na dúvida, a vice de Setim também coube ao Democratas.
Na capital, Luciano Ducci (PSB) busca a reeleição com o deputado federal Rubens Bueno (PPS) na vice e a ajuda da primeira-dama, Fernanda Richa, nas ruas pedindo voto. O cinturão da região metropolitana de Curitiba reúne as campanhas mais difíceis para o PSDB, com Beti Pavin coligada com o PMDB em Colombo, Alceu Maron Filho com o PSB em Paranaguá, Albanor Zezé com o PSD em Araucária e Marcelo Puppi, do DEM, com um tucano na vice, disputando a prefeitura de Campo Largo.

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