PSDB apara as arestas e abre as portas para PMDB
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Falta pouco para o namoro entre PSDB e PMDB no Paraná acabar em casamento, talvez apenas o anúncio oficial do presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi. Ontem, os dois principais aliados de Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa, os tucanos Valdir Rossoni e Ademar Traiano, admitiram que o PSDB ''aparou as arestas'' e agora está de ''portas abertas'' para os peemedebistas. Uma das dificuldades que Beto enfrentava para conseguir o apoio do PMDB era a resistência de parte dos tucanos que disputam o voto nas mesmas bases eleitorais de parlamentares peemedebistas. Mas os conflitos regionais estariam superados em nome da aliança com o PMDB, cuja união deve render até para as eleições de 2014, quando a oposição promete chegar com o nome forte de Gleisi Hoffmann (PT) para a disputa.
''Engoli uns sapos porque o que fala mais alto é o projeto do governo do Estado. Temos que defender essa causa. Toda e qualquer aresta está superada, para desespero do PT'', provocou Traiano, que divide a base eleitoral com os deputados estaduais Caíto Quintana (PMDB) e Nereu Moura (PMDB). Para Rossoni, que também disputa a base eleitoral com parlamentares do PMDB, Beto conseguiu unir os tucanos em nome da aliança. ''Os aliados próximos têm que entender essa política do Beto, que é um sucesso. Acredito que é uma grande tacada do governo do Estado, que vai solidificar a base aqui e pode ser uma aliança duradoura. Com a bancada do PMDB, a base aliada terá um número recorde. Tenho que tirar o chapéu para o Beto, que tem a prática do diálogo. Ele não tem adversários, é um conciliador'', afirmou Rossoni.
Para Rossoni, a disputa nas bases eleitorais é ''normal'': ''Há um jogo de interesse sempre. Mas tem espaço para todo mundo''. Para ele, a única dificuldade que Beto pode enfrentar tem relação já com o próximo período eleitoral, nas eleições de 2012. ''A grande dificuldade do Beto será conciliar todos os seus candidatos no interior. Mas ele tem habilidade'', afirmou Rossoni, que no próximo ano deve voltar para a cadeira de presidente do PSDB estadual, justamente com a missão de arrumar os palanques.
Rossoni afirma ainda que o apoio do senador Roberto Requião (PMDB) ''seria importante'', mas minimiza a questão, alegando que, embora aposte numa aliança ''duradoura'', a união entre os dois partidos pode ser representada num primeiro momento dentro da Assembleia Legislativa. Questionado sobre o episódio de 2006, quando Rossoni convocou a cúpula nacional do PSDB para interferir e romper com a aliança capitaneada entre Hermas Brandão (PSDB) e Roberto Requião (PMDB), o tucano explicou que se tratava de ''um outro cenário''. ''Cada eleição é uma configuração. Em 2006 era outra situação, outro quadro, outro momento. Em 2006, tinha gente do PSDB excluído do processo. O grande erro daquela época foi não ter construído a aliança antecipadamente. Agora fica fácil a costura para 2014'', afirmou ele.
Outro tucano que também teve um episódio de atrito com o PMDB, o deputado estadual Mauro Moraes (PSDB), que chegou a perder o mandato anterior conquistado via PMDB devido a infidelidade partidária, também saiu em defesa da aliança com o partido de Requião. ''Não podemos fazer política pensando no passado. Senão eu seria o primeiro a ter rancor. Fui perseguido pelo PMDB. Mas hoje o que nos interessa é a reeleição do Beto. E será uma eleição difícil. Gleisi está poderosa, tem carisma, competência. Precisamos pensar no futuro'', disse Mauro Moraes.


