PSDB adota independência em relação ao governo FHC
Pedro Livoratti
De Londrina
A executiva estadual do PSDB do Paraná vai adotar uma postura de independência em relação ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A decisão será oficialmente anunciada na próxima semana pelo senador Alvaro Dias, presidente estadual do partido no Paraná. O anúncio será feito no Plenário do Senado, durante pronunciamento, quando Alvaro deverá detalhar os motivos que motivaram a decisão.
O modelo adotado pelo governo está mais para o liberalismo do que para a social democracia. Daí esta crise social, que resulta em desemprego e dificuldades insuportáveis pela população, adiantou o senador ontem à tarde, por telefone. Segundo ele, a nova postura é uma recomendação da executiva, mas não significa que toda a bancada tucana deverá adotá-la. É uma postura que recomendamos, mas não pretendemos colocar camisa de força em ninguém, afirmou Alvaro.
Embora a decisão tenha sido motivada pelo descontentamento com os rumos do governo federal, os tucanos do Paraná não escondem a insatisfação com o fato do Planalto ter como interlocutor direto no Estado o governador Jaime Lerner (PFL). Não somos convocados para opinar nem mesmo sobre assuntos do interesse do Paraná, reclamou o senador.
O anúncio da postura independente do PSDB do Paraná coincide com a maior crise de popularidade do presidente FHC (ler na página 4). No pronuncimento que oficializará a decisão da executiva paranaense, Alvaro pretende detalhar os motivos que, em sua avaliação, levam o Planalto a esta crise de popularidade.
Vamos dizer que o governo se afasta da proposta da social democracia e que nós temos de nos distanciar disso, afirmou o senador. Segundo informou, a postura de independência não vai significar oposição ao governo. Pretendemos apoiar aquilo que entendermos que é correto para a sociedade, só não podemos prestar apoio a tudo, afirmou.
Ele exemplificou que o projeto de responsabilidade fiscal - que está tramitando no Congresso - deverá receber o apoio da bancada paranaense. Para Alvaro Dias, a crise de popularidade de FHC se dá por ele não ouvir a voz das ruas. Outro erro apontado pelo senador está na escolha da equipe ministerial. Sem citar nomes, Alvaro disse que o presidente da república está prisioneiro dos interesses partidários e de lideranças políticas.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), vice-líder do governo na Câmara, ficou surpreso com a decisão da executiva de seu partido. Ele disse, no entanto, que pretende manter-se como vice-líder. Já o senador Osmar Dias (PSDB) disse ontem que a decisão da executiva deverá dividir o voto dos seis deputados federais em determinadas matérias. Apóio integralmente a decisão, mas preferia que a postura de indepência fosse obrigatória. Isto fortaleceria o PSDB do Paraná, afirmou o senador.





