PSDB acusa PFL de romper acordo
Acabou a lua-de-mel. O PSDB e o PFL do Paraná estão novamente em pé de guerra. Dessa vez, a briga se concentra na busca por um ministério no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os tucanos acusam os pefelistas de romper um acordo no qual não seriam indicados nomes ao presidente, mas apenas o interesse do Estado em participar no segundo mandato. Os pefelistas já fizeram sua lista de ministeriáveis e se protegem das acusações alegando que, na composição da nova equipe, o que pesará é a participação dos partidos políticos da base de sustentação.
A queda-de-braço PFL-PSDB foi desencadeada ontem. O deputado federal, Abelardo Lupion (PFL), anunciou a existência de uma lista com os nomes do secretário para Assuntos Previdenciários, Renato Follador Filho; do ex-ministro Reinhold Stephanes; e do deputado Affonso Camargo, como ministeriáveis. O documento foi entregue ao presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, há dez dias. Os pefelistas querem que Bornhausen entregue a carta ao presidente. Follador e Stephanes foram indicados para a Previdência. Affonso Camargo, para os Transportes.
O senador Osmar Dias (PSDB) - que tenta desvincular sua participação dos interesses do irmão, o senador eleito Álvaro Dias (PSDB), que sonha em ser ministro - reagiu à postura dos pefelistas. Segundo ele, a estratégia adotada pelo PFL é totalmente equivocada. Não é uma estratégia correta porque enfraquece o conjunto, assinalou, numa referência ao acordo informal firmado há cerca de 20 dias entre PFL, PTB, PSDB e PPB. Vai ficar fácil para o presidente dizer: se não há unidade entre o PFL e o PSDB do Paraná, não nomeio ninguém, considerou.
Osmar criticou ainda a postura adotada pelo governador Jaime Lerner (PFL), de não falar com o presidente Fernando Henrique na última sexta-feira sobre ministério. O presidente foi a São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para inaugurar a Renault. Ele (Lerner) está querendo ser muito elegante. Não adianta nada ser deselegante depois de 31 de dezembro, declarou. O governador perdeu uma grande oportunidade. A visita do presidente foi política. Ele deu até a deixa quando agradeceu os votos que ele fez no Paraná, emendou.
As bancadas do PFL e do PTB foram chamadas ontem para uma reunião à noite com Lerner, no Palácio Iguaçu. A posição oficial do governador ainda não era conhecida pelos aliados. Os pefelistas não estavam dispostos a retroceder na disputa com o PSDB. O PFL, dentro da estrutura do governo federal, tem três ministérios e busca outros dois ou três, informou Abelardo Lupion. O deputado federal disse que não vê nada demais na lista elaborada pelo partido. A composição ministerial será feita partidariamente. É louvável que lutemos por espaço, justificou.
Lupion afirmou que não há rompimento de acordo. O presidente olha os aliados por partido e não por estado. Se não apresentarmos nomes, não temos como cobrar depois, reforçou. A pouca disposição do PFL em unir-se ao PSDB na busca por ministérios foi sinalizada na semana passada quando o partido avisou que não assinaria documento em nome do Paraná sem antes conversar com Lerner. Ricardo Barros (PPB), integrante do grupo de parlamentares que discutia ministérios, disse ontem que briga PFL-PSDB pode deixar o Paraná sem nada. O PFL acha que é a bola da vez e isso pode complicar as coisas, observou. (L.D)





