A adesão da cúpula nacional do PSD à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), conforme anúncio feito nesta última semana em Brasília, já divide opiniões entre líderes da legenda no Paraná, onde o partido de Gilberto Kassab é ligado ao governador Beto Richa (PSDB). Com três deputados estaduais – Ney Leprevost, Luiz Carlos Martins e Marla Tureck –, o PSD paranaense já avisou que vai permanecer na base do governo. "A gente continua com o apoio ao Beto e, falando por mim, mesmo que o partido venha a oficializar o apoio à candidatura nacional do PT, eu teria hoje dificuldade para estar no palanque ao lado da Dilma", afirmou Leprevost, que também é secretário-geral do PSD no Estado.
Para o deputado, a "incoerência" fica por conta da legislação, "que permite a um partido fazer uma coligação nacional e outras, diferentes, nos estados". "É preciso mudar a lei eleitoral." Cauteloso, Leprevost evitou avaliar a decisão nacional, mas admitiu que o anúncio pode ter sido precipitado. "Ainda estamos longe das eleições."
O discurso do PSD é que a aproximação com os petistas não vai trazer interferência nos encaminhamentos locais. Nesse ponto, Leprevost e o presidente do Diretório Estadual, deputado federal Eduardo Sciarra, têm declarações convergentes. Para Sciarra, que está na base do governo federal no Congresso, "mesmo nos estados onde houve a manifestação pelo apoio ao PT (o PSD do Paraná não realizou votação interna sobre o tema), quem não se sentir à vontade não terá nenhum constrangimento".
Contudo, mesmo defendendo a candidatura própria ao governo do Paraná, Sciarra não descartou abrir espaço no palanque para Dilma. "Aqui no Paraná ela poderá ter dois palanques", considerando a candidatura da ministra Gleisi Hoffmann, pelo PT, e do empresário Joel Malucelli, pelo PSD. Leprevost tem outra avaliação. "Não vejo o PT apoiando outra candidatura."
Durante encontro em Brasília, nesta última semana, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, agradeceu o apoio do PSD e considerou que a legenda já era uma aliada desde o seu surgimento em 2011. Falcão citou, como exemplo dessa ligação, o ingresso do PSD no governo Dilma quando a presidente abriu espaço na Esplanada para Afif Domingos como ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. No governo do Paraná, o PSD tem Reinhold Stephanes na Casa Civil e Evandro Roman na Secretaria de Esporte e Turismo.

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