PSB pede a saída de Leônidas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2001
Valmir Denardin<BR>De Curitiba 
Antes mesmo de iniciada a votação do projeto que impede a venda da Copel, o presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Severino Nunes de Araújo, mandou um ofício ao deputado Moysés Leônidas convidando-o a deixar o partido. A decisão foi tomada com base em declarações de Leônidas a jornais do Estado, em que ele deixava claro que estava barganhando seu voto com o governo estadual.
À Folha, o parlamentar afirmou que queria viabilizar obras em seu reduto eleitoral (a região de Londrina), cargos na administração estadual e apoio para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as universidades estaduais.
''Mesmo que ele vote contra a privatização, não serve para o nosso partido'', declarou Severino Nunes de Araújo às 19 horas, antes do início da votação. No ofício, encaminhado por fax e telegrama no início da tarde de ontem ao gabinete de Leônidas, o presidente estadual do PSB se declara ''surpreendido'' com as declarações do parlamentar e acrescenta que elas colocaram em ''situação vexatória'' a imagem do PSB no Paraná.
Anteontem, a Executiva estadual emitiu nota em que reforça que o partido é contra a privatização da Copel e determina a seus deputados seguir ''as diretrizes pragmáticas e ideológicas estabelecidas pelo Diretório Nacional, em julho''.
Além da de Leônidas, o PSB tem outras duas cadeiras na Assembléia paranaense: Hidekazu Takayama e Ricardo Maia. Takayama ainda não está filiado oficialmente ao partido, mas já teve ficha de ingresso abonada pelo presidente nacional, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Ontem, o voto de ambos eram contados como favoráveis ao governo.
Severino Araújo disse acreditar que sua decisão será referendada pela Executiva do partido. Se Leônidas decidir recorrer, o pedido será examinado pelo Conselho de Ética. A Folha tentou ouvir o deputado, mas ele se ausentou do plenário da Assembléia no final da tarde, não estava em seu gabinete, e seu telefone celular estava na caixa postal. (Colaborou Israel Reinstein, de Curitiba)


