PSB impõe lista de reivindicações ao PT
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
Leonencio Nossa e Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - A três dias de negar a legenda para que Ciro Gomes se candidate à Presidência da República, o PSB se prepara agora para cobrar a fatura. Em troca da adesão à candidatura da petista Dilma Rousseff, o partido reivindica o apoio do PT nos Estados. Os socialistas querem que o PT libere partidos da base aliada, como o PR e o PC do B, para apoiar candidatos do PSB a governos estaduais. A Executiva Nacional do PSB se reúne na terça-feira, dia 27, para bater o martelo sobre a candidatura de Ciro. A lista de pleitos foi entregue ontem à coordenação da campanha de Dilma Rousseff pela cúpula do PSB.
O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, reuniu-se ontem pela manhã, por mais de duas horas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Saiu do encontro dizendo que Ciro Gomes terá de aceitar a decisão do partido sobre o destino de sua candidatura. ''A decisão que ocorre na próxima terça-feira vai ser compactuada por Ciro e por todos os companheiros, pois isso foi compactuado com ele'', afirmou Campos, ao deixar o Palácio da Alvorada.
Uma das reivindicações do PSB é em relação a São Paulo, onde o partido disputará o governo do Estado com o empresário Paulo Skaf. Os socialistas querem que o PT libere o PC do B e o PR para fazer aliança em torno de seu candidato. No Espírito Santo e no Rio Grande do Sul também querem que o PT autorize o PC do B para apoiar seus candidatos ao governo do Estado - o senador Renato Casagrande e o deputado Beto Albuquerque, respectivamente.
Ao mesmo tempo, a cúpula do PSB defende que nesses três Estados Dilma tenha palanque duplo. Ou seja, que a ex-ministra e o presidente Lula também façam campanha para os candidatos do PSB e não apenas para os petistas. O PSB quer ainda a garantia de ''neutralidade'' na Paraíba. O ex-prefeito Ricardo Coutinho é candidato ao governo do Estado, mas o PT decidiu apoiar o governador José Maranhão, do PMDB, candidato à reeleição.
O levantamento que está sendo feito pela direção do partido aponta que, hoje, a candidatura de Ciro Gomes à Presidência conta com o apoio de apenas cinco estados: Ceará, Amazonas, Paraíba, Alagoas e Minas Gerais. Em alguns desses locais, o PSB tem ligação com o PSDB do tucano José Serra. É o caso de Minas Gerais, onde o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, é ligado ao ex-governador Aécio Neves (PSDB). A tendência é que o PSB mineiro apoie a reeleição do governador Antonio Anastasia.
Apesar da retirada iminente da pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência, integrantes do PSB minimizaram ontem as declarações dadas pelo deputado. ''Vamos fazer esse debate com tranquilidade. Essa opinião do Ciro não é a minha'', disse Eduardo Campos. ''Agora é a hora de ouvir a base do partido como o Ciro pediu. Cada um é livre para dar sua opinião'', completou. ''Não vamos polemizar com o Ciro'', afirmou o secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES).
O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, disse que Ciro Gomes está equivocado e que a opinião majoritária no partido é que a petista Dilma Rousseff tem condições de ganhar as eleições presidenciais. ''Ela (Dilma) é a melhor candidata, fora o Ciro'', argumentou Amaral.


