A discussão do apoio à provável candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República dividiu o PSB, que se reuniu ontem para decidir o caminho do partido na eleição de outubro. Setores do PSB defendem o adiamento dessa decisão. ‘‘O Lula até agora está indeciso, o PT adiou o encontro nacional. Por que vamos nos precipitar?’’, questionou a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB-SP). ‘‘Não sabemos se o Lula será ou não candidato’’, concordou James Lewis, membro da Executiva Nacional do PSB e secretário do governo petista do Distrito Federal.
O presidente nacional do PT, José Dirceu (SP), se reuniu ontem de manhã com o presidente do PSB, governador Miguel Arraes (PE). José Dirceu fez questão de dizer a Arraes que Lula é candidato. ‘‘O Lula é candidato e tem entusiasmo. Agora o Lula é um ser humano e abriu seu coração para a revista Veja’’, disse o petista depois do encontro com o governador, referindo-se à entrevista de Lula publicada nesta semana.
Mas José Dirceu fez uma ressalva: ‘‘Lula é candidato desde que haja uma candidatura ampla’’. Para isso, o PT quer a participação do PSB na frente de centro-esquerda que também seria integrada pelo PC do B e pelo PDT. ‘‘Essa aliança é muito possível’’, afirmou o presidente do PT. No encontro, José Dirceu disse a Arraes que o PT precisa do apoio do PSB, que participaria da elaboração do programa de governo, do comando da campanha e da definição do discurso do candidato.
Sem outra opção desde que o PMDB rejeitou o lançamento de candidato próprio à Presidência da República, o PSB deverá mesmo se coligar com o PT e apoiar a provável candidatura de Lula. ‘‘O partido deverá decidir pelo apoio a Lula, mas não queremos só uma aliança eleitoral. Queremos uma aliança política. Isso significa que vamos participar da elaboração do programa de governo’’, afirmou o líder do PSB na Câmara, deputado Alexandre Cardoso (RJ).

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