Debatida entre as duas legendas desde antes do período eleitoral, a fusão do PPS com o PSB pode encontrar resistência dentro da segunda legenda no Paraná. Enquanto as tratativas já estão em estado avançado em nível nacional, em terras paranaenses pode culminar em cisão, avisa o presidente estadual do PSB, Severino Araújo.
A união começou a ser alinhavada ainda antes de Eduardo Campos lançar sua candidatura à Presidência da República, mas a costura foi suspensa após a morte do presidenciável, em agosto. As conversas foram retomadas depois da derrota de Marina Silva no primeiro turno.
Entretanto, o presidente do PPS no Paraná, deputado federal reeleito Rubens Bueno, afirma que um desfecho só deve vir após o fim das eleições. "Qualquer passo desses antes do segundo turno é trocar um projeto de nação por um projeto de partido", diz o parlamentar.
Se a fusão se concretizar, será a quarta maior bancada da Câmara Federal, com 45 deputados. Já na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o PPS elegeu três parlamentares e o PSB, dois. Neste caso, ficaria atrás apenas do PSDB (7), PMDB (8) e PSC (12).
Entretanto, para o presidente estadual do PSB do Paraná, Severino Araújo, a união não parece vantajosa. Ele ressalta que, apesar de ter eleito menos deputados estaduais, a votação individual dos pessebistas Tiago Amaral e Gilberto Ribeiro foi mais expressiva que a de Tercílio Turini, José Carlos Schiavinato e Douglas Fabrício.
Além disso, o PSB também tem um pré-candidato a prefeito de Curitiba, o deputado federal eleito Luciano Ducci – que, aliás, concorreu ao mesmo cargo em 2012, com Bueno como vice, mas ficaram em terceiro lugar.
Araújo acredita que a possível fusão pode desencadear um processo em que os deputados deixem a nova legenda. "Ao invés de união, pode gerar uma cisão. Aqui, haverá restrições ao PPS. A fusão no Paraná não é tranquila", alerta.
Bueno não quis comentar a opinião de Araújo, dizendo que as decisões ficarão para depois do segundo turno. "É uma posição dele, respeitável. Ele tem um histórico importante dentro do PSB", afirmou o deputado federal.
Para ele, não cabe uma discussão sobre vantagens, "mas de projeto para o País". "São dois partidos históricos e parecidos. É mais uma reaglutinação dessas duas forças", defende.

Tratativas
Na última quarta-feira, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP) liderou outros quatro correligionários em reunião com o presidente do PSB paulista, Márcio França, e outros quatro socialistas, para dar continuidade às negociações para a fusão.
O novo partido poderá manter o nome de PSB ou passar a se chamar PS40, que é o número de registro do partido do ex-governador Eduardo Campos no Tribunal Superior Eleitoral.
Essa não é a primeira tentativa do PPS de se aglutinar a outra legenda: no passado, era dada como certa a união com o PMN para formar o partido MD (Mobilização Democrática). Porém, o segundo desistiu da formalização em julho de 2013. (Com agências)

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