PSB define hoje apoio à frente das oposições
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
João Domingos Agência Estado 
O PSB realiza hoje em Brasília a convenção nacional que vai definir o apoio à chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Leonel Brizola (PDT), no momento em que a frente de esquerdas atravessa mais uma crise. Desta vez foi o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Miguel Arraes, quem causou o problema. Ele deu ao PT a vaga para a disputa ao cargo de senador por Pernambuco, antes prometida ao PDT.
A atitude de Arraes recebeu o imediato repúdio do candidato a vice, que também é presidente nacional do PDT. Brizola e Lula participarão da convenção do PSB e devem conversar sobre o assunto com Arraes. Brizola vai insistir em retomar a vaga de candidato ao Senado para o pedetista José Queiroz, ex-prefeito de Caruaru. Arraes ofereceu o lugar para o deputado Humberto Costa, do PT.
Em Pernambuco, a aliança foi composta com muita dificuldade. Primeiro, o PT forçou o diretório regional a prestar apoio a Miguel Arraes. Quando tudo parecia certo, com o cargo de governador para Miguel Arraes, o de vice para o PT e o de senador para o PDT, começou a confusão. Arraes ofereceu a vice para o PT e o PDT. Como os dois partidos demoraram a dar uma resposta, Arraes chamou para a vaga o ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho, do PSB, e entregou a do Senado ao PT.
Na convenção de hoje, o PSB apresentará as primeiras bandeiras da campanha da frente de esquerdas à presidência. Será proposta a criação do Ministério do Desenvolvimento dos Municípios. Nos estudos feitos pelos socialistas, a conclusão é a de que dos 5.507 municípios, mais de 5 mil não têm estrutura para fazer planejamento de geração de empregos ou de desenvolvimento social.
Lula receberá também do PSB um documento que mostra a importância de se fazer a integração nacional por intermédio de hidrovias, ferrovias e navegação marítima. A intenção dos socialistas é concluir ferrovias já iniciadas, como a Norte/Sul, que liga São Luís do Maranhão a Anápolis, em Goiás, e daí aos outros estados, e fazer novas linhas. Por fim, o PSB quer também do PT um programa que busque a fixação do homem no interior. Para o partido, esta seria uma maneira de se combater o aumento da violência, além de descentralizar as ações governamentais do País.


