O PSB decidiu aceitar a filiação do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), mas sem se comprometer com a sua candidatura à Presidência da República por uma frente de centro-esquerda. A decisão foi tomada pela executiva nacional do PSB, que se reuniu por três horas anteontem à noite em Recife. O presidente do PSB-CE, Eudoro Santana, manteve seu veto ao ingresso de Ciro Gomes. Segundo ele, se o tucano entrar no partido será ‘‘por cima’’ e não por meio do diretório cearense.
O presidente do partido, governador Miguel Arraes, não vê problemas, pois a filiação do ex-ministro pode ser abonada pela executiva nacional. O vice-presidente do partido, governador do Amapá, João Alberto Capiberibe, que resistia à entrada de Ciro na legenda socialista, recuou e decidiu apoiar a decisão da maioria. As prefeitas Kátia Born (Maceió) e Wilma Faria (Natal) e Luíza Erundina também estavam presentes.
Foi com esta notícia - interpretada como sinal verde à candidatura de Ciro - que o governador Miguel Arraes recebeu o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente nacional da legenda, José Dirceu, ontem à tarde, no seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas. Em entrevista, depois do encontro de duas horas, Arraes disse que a possibilidade de duas candidaturas no campo da esquerda não favoreceria o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Ele se fortalece se recuperar parcelas da opinião pública que vem perdendo’’, afirmou.
Lula pensa diferente. Ele acredita que dois candidatos de esquerda terminariam atacando-se mutuamente, inviabilizando alianças no segundo turno. Exemplificou com a eleição presidencial de 1994, quando, segundo ele, Leonel Brizola (PDT) bateu muito mais nele do que em FHC. Mas disse que sua candidatura não seria empecilho para a formação de uma frente. José Dirceu afirmou buscar a unidade ‘‘sem vetos ou imposições’’. Segundo ele, o partido lançou o nome de Lula porque, como maior partido de esquerda do País, não poderia deixar de apresentar um candidato, o que não significa que não esteja aberto a outros nomes.
A expectativa de Lula em relação à reunião do bloco de oposição a Fernando Henrique, hoje, em Brasília, é de que seja consolidada a tese da unidade pelos partidos que o integram (PSB, PT, PC do B e PDT).
Itamar O ex-presidente Itamar Franco afirmou ontem que poderá vir a apoiar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à Presidência da República caso o ‘‘sentimento mineiro’’ decidir que o seu nome não deverá ser lançado na corrida presidencial de 98. ‘‘Estou ouvindo o sentimento mineiro’’, disse. ‘‘É ele que vai definir se serei candidato ou não’’, referindo-se aos políticos do Estado próximos a ele. Itamar vai se encontrar hoje, em Brasília, com o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Vou desembarcar com bandeira branca, mas se me tomarem a bandeira branca, aí vai ter guerra’’, afirmou.
Itamar reuniu-se ontem no fim da tarde com o prefeito de Juiz de Fora, Tarcísio Delgado, que defende a filiação de Itamar ao PMDB e o lançamento de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Delgado expôs a Itamar a situação financeira da cidade por causa das perdas financeiras com a Lei Kandir e com o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). De acordo com ele, Itamar afirmou saber que a situação financeira de várias cidades é ‘‘muito séria’’. O prefeito disse que Juiz de Fora teve perdas fiscais de R$ 6 milhões no ano.
Hoje, antes da audiência com Fernando Henrique, marcada para às 19h30, o ex-presidente se reunirá com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, presidente nacional do PSB, com o prefeito de Contagem, Newton Cardoso (PMDB), e, possivelmente com o senador Francelino Pereira (PFL-MG).
Até às 21h30 de ontem a Câmara dos Deputados não havia concluído a votação da lei eleitoral de 1998.

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