Leandro Donatti
De Curitiba
Proposta de plano de cargos e salários elaborada pela cúpula da ParanáPrevidência, paraestatal que cuida das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado, prevê pagamento de supersalários para diretores e assessores. A proposta, que será submetida à apreciação dos conselheiros na próxima segunda-feira, em Curitiba, fixa em R$ 11 mil o salário do diretor-presidente; em R$ 8 mil o dos demais diretores; e em R$ 6 mil o dos assessores. O plano abrange cerca de 30 cargos.
A fixação dos vencimentos tomou por base pesquisa de mercado feita por uma empresa de consultoria contratada pela ParanáPrevidência e já começou a provocar reações negativas. Plenária das 44 entidades sindicais dos servidores públicos, reunidas ontem em Curitiba, decidiu votar contra o plano. Os servidores prometem uma mobilização contra os supersalários.
A plenária deliberou ainda votar contra o balanço da ParanáPrevidência, também objeto de análise dos conselheiros. Os servidores alegam que o governo não repassou R$ 7 milhões que lhe cabia ao fundo, criando um déficit na conta da paraestatal. O dinheiro se refere a parte da contribuição do governo, como contrapartida a dos servidores, fixada em 12% para quem ganha até R$ 1,2 mil e de 14% sobre o valor excedente para quem ganha mais. A ParanáPrevidência tem hoje algo em torno de R$ 50 milhões, informou ontem o secretário da Previdência, Renato Follador Junior. Valor de capitalização bem abaixo do estimado pelo governo por conta de uma avalanche de ações judiciais.
O diretor-presidente da ParanáPrevidência, secretário do Planejamento Miguel Salomão, não quis entrar no mérito da questão. ‘‘Não vou ficar batendo boca com sindicatos, até porque têm representantes no Conselho. Vou aguardar um posicionamento oficial do Conselho. O que for decidido será acatado’’, assinalou. Salomão disse ainda que se for confirmado o valor do seu salário, de R$ 11 mil, não o acumulará com o que recebe hoje como secretário de Estado, algo em torno de R$ 8 mil brutos. ‘‘Isso não ocorrerᒒ, assegurou ele.
Enquanto Salomão tenta equacionar a primeira crise doméstica instalada na ParanáPrevidência, Renato Follador tenta apressar o processo de capitalização, já que o governo não tem conseguido deslanchar as negociações com Brasília, para antecipar os royalties da Usina de Itaipu. Follador disse ontem que o governo agora vai transferir boa parte de seus 7 mil imóveis, distribuídos pelo Estado, para a paraestatal. Sob seu poder, a ParanáPrevidência poderá vender ou locar bens públicos, transformando-os em dinheiro. O primeiro lote a ser repassado à paraestatal inclui 150 imóveis.

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